A palavra “Cambono” é originária do termo: Kambondo; Kambono; Kambundu; que nada mais é do que um título consagrado aos homens que não entram em transe mediúnico, e são responsáveis por várias funções de alta confiabilidade nas giras de umbanda.

Qualquer tipo de “cargo, atividade e/ou funções” dentro de um Terreiro umbandista tem como designativo o pré-nome: Cambono, seguido pela atividade que ocupa. Assim, evita-se qualquer tipo de soberbia, nariz empinado, comum a quando recebemos cargos de responsabilidade com nomes que denotam grandeza. Sendo assim, um termo simples, desprovido de pompas, é o nome que mais representa a Umbanda, pois é designativo de trabalho e nada mais.

O Cambono é a viga mestra do trabalho, sua energia é fundamental na sustentação vibracional da casa. Ainda que muitas vezes eles passem despercebidos aos consulentes e assistência durante um trabalho, são os cambonos os grandes responsáveis pelo bom andamento de um trabalho. Cambono é um secretário das entidades. Ele zela pelo bom atendimento, ajuda dinamizar as consultas, facilita o trabalho das entidades e serve também como intérprete destas.

A maioria dos médiuns, quando adentram o chão do Terreiro, tornando-se filho da casa, iniciam sua trajetória cambonando durante os trabalhos e giras. É nessa fase que começa a interação do “novo” filho aos cultos, religiosidade e responsabilidade, que aos poucos vão tornando-se mais perseverantes e firmes nos propósitos de missão que a cada um é necessário.

A ansiedade é um fator que pode atrapalhar significativamente o desenvolvimento mediúnico, por isso é bom sempre lembrarmos que a mediunidade não é mérito para ninguém e sim provação ao qual devemos corresponder com trabalho, humilde e resignado. É importante a conscientização do cambono em aproveitar todas as oportunidades de reflexão e crescimento, pois acompanhando diversos atendimentos, e sempre pensando naquilo que também lhe diz respeito, obterá muitas reflexões produtivas ao seu crescimento espiritual.

O seu trabalho dentro do Templo é tão importante, pois os Guias Espirituais se utilizam dele para retirar as energias que serão utilizadas no atendimento aos consulentes. Não podem comentar, nem contar a outras pessoas o diálogo do Guia com os assistidos. Devem ser preparados para terem uma concentração excepcional para o auxilio na firmeza do ritual. Os comentários só devem acontecer esporadicamente, de forma impessoal, como meio de se esclarecer dúvidas e transmitir novas informações a todos os trabalhadores, e somente no âmbito do grupo.

Não são empregados de nenhum médium ou entidade e, nem pode virar empregado particular de ninguém. Todos que tem essa função deverão ajudar a todas as entidades, não escolhendo por afinidades (gostar mais ou menos de uma entidade ou médium). Ele é cambono do Guia Espiritual e não daquele médium, que é apenas um irmão dentro do Templo. O que ele pode, sim, é perguntar ao médium com o qual trabalha como deve proceder para prestar um melhor atendimento à entidade durante os trabalhos.

Considerando esse papel, podemos listar alguns requisitos importantes para os cambonos:

· Cuidar do material de trabalho do Guia: buscando garantir a organização dos objetos e a conservação e limpeza do ambiente (uso de cinzeiros, copos, etc) bem como guardando nos lugares corretos os objetos emprestados pela Casa Espiritual (pemba, prancheta, etc). Outra responsabilidade sua é a anotação, bem legível, e correta das orientações do Guia, bem como do material que for solicitado.

· Responsabilidade: tanto quanto o médium de incorporação, o médium cambono de sustentação precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade e as energias humanas, a fim de poder auxiliar eficientemente o dirigente do trabalho e os seus colegas médiuns ou não.

· Com o grupo de trabalhadores em que atua: evitando faltar às reuniões sem motivos justos, ou faltar sem avisar o dirigente ou o médium incorporador do Guia a qual trabalha; procurando ser sempre pontual nos trabalhos e atividades relativas.

· Firmeza mental e emocional e equilíbrio vibratório: como é o responsável pela manutenção do padrão vibratório durante o trabalho, o médium cambono de sustentação deve ter grande firmeza de pensamento e sentimento, a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam pôr a perder a segurança do trabalho e dos outros trabalhadores, se manter equilibrado em qualquer situação e poder ajudar o grupo quando necessário, bem como a preparação necessária na noite que antecede o trabalho e no dia propriamente dito, cuidando do descanso, da alimentação, da higiene física e mental, dos banhos ritualísticos, da firmeza da sua guarda, etc.

· Compromisso com a casa que trabalha: conhecendo e observando os regulamentos internos a fim de seguí-los. Explicá-los, quando necessário, e fazê-los cumprir, se for o caso; dando o exemplo na disciplina e na ordem dentro da casa; colaborando, sempre que possível, com as iniciativas e campanhas da instituição.

· Com os Guias Espirituais: lembrando que eles contam também com os médiuns cambonos para atuar no ambiente e nas energias necessárias aos trabalhos a serem realizados, e que, se há faltas, são obrigados a “improvisar” para cobrir a ausência. Os Guias Espirituais devem ser atendidos com presteza e respeito.

· Com os assistidos: encarnados e desencarnados, que contam receber ajuda na casa e não devem ser prejudicados pelo não comparecimentos de trabalhadores. Todos deverão ser recebidos e tratados com esmero, dedicação, respeito e educação.

· Ausência de preconceito: o cambono médium não pode ter qualquer tipo de preconceito, seja com os assistidos encarnados ou desencarnados, seja com os dirigentes, mentores, etc. Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus.

· Coerência: tanto quanto o médium de incorporação, o cambono, médium de sustentação deve manter conduta sadia e elevada, dentro e fora da casa em que trabalha, para que não seja alvo da cobrança de entidades desequilibradas, no intuito de nos desmascarar em nossas atitudes e pensamentos.

Como vemos, as responsabilidades dos cambonos, médiuns de sustentação são as mesmas que a dos médiuns incorporadores, e exigem deles o mesmo esforço, a mesma dedicação e a mesma responsabilidade.

Corrente e egrégora

Os cambonos são responsáveis pela corrente mediúnica e pela egrégora conquistada, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a “corrente” é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiental (egrégora) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto preservação. Essa questão da “corrente” ou egrégora é tão importante que vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto para que você possa perceber, se orientar e orientar a outros.

“Egrégora” provém do grego “egrégoroi” e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. É o envolvimento, clima envolvente, estado de Espírito resultante de fatores externos e internos. Quando um grupo de pessoas se reúne em meditação e oração com um objetivo comum, pela união do amor e da vontade é criada uma forma pensamento. Essa forma pensamento coletiva é formada pela vontade dos encarnados e desencarnados, movidas pela intenção. Baseada na Grande Lei de que cada pensamento / sentimento, cada intenção, quando aliada ao desejo sincero transmite uma força dinâmica separada do ser que a forma e a envia, formamos um grupo de meditação e oração para podermos juntos emitir pensamentos saudáveis de amor e paz, conduzidos no plano astral pelos Anjos, Orixás, Guias Espirituais, Santos, etc., canalizados para um bem comum. A força de uma egrégora é ampliada, e segundo a intenção e dinamização do grupo formador, se torna poderosa. (Cláudio Zeus – extraído do livro Umbanda Sem Medo Vol I).

Criada a egrégora como já vimos antes (pela união dos pensamentos direcionada aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns “milagres”, desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (aí eu já estou falando de seres espirituais), penetram e até são atraídas para o interior. Elas usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades. Por isso, fazer com que a assistência participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de todas as Giras de Umbanda.

Entidades inferiores tendem a serem barradas por uma força invisível (a energia), que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver “correndo bem”). Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.

Dessa egrégora, como já disse, são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada. Por outro lado, se a corrente ou egrégora das “Giras” não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.

Veja abaixo alguns tipos de complicações que podem ocorrer:

Ø Cansaço físico de dirigente e médiuns ao final dos trabalhos pela perda energética sofrida. O normal é que quando se encerram os trabalhos, todos os médiuns se sintam em perfeitas condições físicas e, não se tratando de trabalhos de descarga e desobsessão, é normal até que saiam sentindo-se melhor do que quando chegaram, justamente porque conseguiram atrair uma grande quantidade de energia positiva da quais todos poderão desfrutar.

Ø Perturbações por intromissão de entidades do Baixo Astral que encontram entrada fácil nesses casos.

Complicações que podem ocorrer com a continuidade dos problemas:

· Enfraquecimento crescente dos contatos entidade/médium.

· Corpo mediúnico cada vez mais inseguro.

· Dificuldades crescentes para a realização de trabalhos.

· Problemas começam a surgir na vida material de todos.

· Discórdias entre o grupo começam a gerar desentendimentos maiores.

· Formam-se grupos dentro do grupo dividindo a energia ao invés de somá-la.

· Doenças e dificuldades começam a aparecer.

Para sintetizar: Todos serão responsáveis por seus próprios atos e desunião e, como ocorre normalmente, ao final elegerão sempre um culpado – ou o dirigente ou a própria Umbanda.

Para resumir e ficar bem entendido observe o seguinte:

· Energia positiva atrai energia positiva (o oposto também vale).

· Pensamentos (que geram energia), positivos atraem energias e fatos positivos (ou negativos…).

· Medo, insegurança e discórdias quebram a rotina da criação e da ação de energias positivas.

· Fé (certeza, convicção) provoca sempre a criação de energia e, quanto maior for, maior será a ação dessa energia.

· Egrégoras são energias que podem ser geradas e fortalecidas a cada dia. Se elas serão positivas ou negativas, dependerá de quem as criará.

· Egrégoras (se positivas), são de utilidade total em qualquer reunião para trabalhos mediúnicos. Quanto mais forte, maior o auxílio que podem prestar.

· Egrégoras formam-se até mesmo em sua casa, seu ambiente de trabalho, etc. Só que nesses casos, como não costuma haver um direcionamento das energias que a formarão (a não ser em poucos casos), elas correm o risco de serem negativas.

· Grupos desunidos, por mais forte que queira parecer o dirigente, estarão sempre a um passo da derrota em função de não conseguirem gerar o ambiente propício para a presença de verdadeiros Espíritos Guias.

A disciplina e a união em torno de objetivos comuns são partes sólidas da base que construirá o verdadeiro Templo – aquele onde comparecerão sempre os verdadeiros Amigos Espirituais.

Liturgia 27/08/2012

Médium Julia Santoucy

Revisado e corrigido por Flávio Ferreira

Casa Espiritual Vereda da Luz

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