Dia de boiadeiro

02/07 – DIA DE BOIADEIRO

Este dia comemoramos a força da linha de BOIADEIROS, data esta trazida da tradição dos terreiros de Umbanda do Estado da Bahia onde acontece o “Dia do Caboclo”, por isso, saudamos também os nossos caboclos do sertão. Os Boiadeiros também são conhecidos como Encantados. Eles não teriam morrido para se espiritualizarem, teriam sido encantados e se transformados em entidades especiais. Mas é importante frisar que “Boiadeiro é Boiadeiro, e não Caboclo”.

É costumeiro ouvir dizer que Boiadeiro seria uma modalidade de Caboclo, mas a verdade não é assim. Os Boiadeiros são geralmente espíritos de posseiros, vaqueiros, laçadores, peões, tocadores de viola, enfim, toda gente provinciana que lidava com gado nas paragens tupiniquins e não correspondente ao índio puro e sim ao mestiço brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai. Se alguém se lembrar da figura clássica de LAMPIÃO, certamente não verá semelhanças nele de um índio.

Mais há sim uma relação entre essas duas entidades, elas são trabalhadoras na linha de OXOSSI. Há uma falange de Boiadeiros ligada a Jurema, a formosa Cabocla que em Umbanda é tão cultuada, assim como a Iracema, de muitos séculos atrás, o que prova a sua força e a sua existência como entidade de muita luz e desdobramentos que vai do mar a terra. Esta falange de Boiadeiros tem forte ligação com as matas, é notado inclusive em seus pontos cantados, que ele é atirador de flechas. Porém na grande parte dos casos, os outros, esses grandes amigos da espiritualidade não possuem relação com a caboclada, a não ser a mesma forma ritualística de se cumprimentar.

Muitos perguntam se o motivo deles baixarem nas giras de Caboclos é a ligação a Oxossi, ou, nas giras de esquerda por serem atuantes em descarrego do terreiro? Eu acredito que em muitos terreiros (e graças a Deus, que esta não é uma realidade de todos) seja exclusivamente, por falta de opção, são entidades que querem trabalhar e precisamos abrir espaço sempre para elas. Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens. Vestem-se como o sertanejo, com roupas e chapéu de couro. São bons curadores e fazem o descarrego dos médiuns, do terreiro e das pessoas da assistência. “Trabalham também no preparo dos médiuns”, os fortalecendo dentro da mediunidade e abrindo as portas para a entrada dos outros guias, tornando-se grandes protetores, como os Exus, e atuantes na essência da humildade como os Preto-Velhos.

Usam chicotes, laços e berrantes e gostam de meladinha, cachaça com mel de abelha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. As contas de suas guias são verdes (podendo incluir outras cores) e olho de boi, sementes, dentes de animais, pedaços de couro. Quando o médium é mulher, freqüentemente, a entidade pede para que seja colocado um pano bem apertado cobrindo o formato dos seios, em respeito a matéria das mesmas.

 

Veja alguns nomes de Boiadeiros mais conhecidos: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Sertão, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro da Bahia, Boiadeiro Sete Nós, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Santa Fé, Zé Boiadeiro, Mané Boiadeiro, Seu Vaquejada, João da Serra, João do Laço, Boiadeiro do Piauí, Boiadeiro do Sobrado, Boiadeiro de São Vicente, Boiadeiro da Estação da Leopoldina, Boiadeiro Vira Sol, Querêncio do Gravatá, Boiadeiro Venâncio, Junquim Boiadeiro, Katu Mandará, Carreiro, Zé Lanceiro, etc.

Neste dia, acender uma vela verde, oferecendo junto um copo de vinho ou pinga com mel, “exclusivamente no lar”. Pedindo bravura e proteção no longo do caminhada sobre nossas vidas e sobre nosso lar.

 

Gira realizada para desenvolvimento mediúnico, atendimento aos assistidos e para festejarmos através de oferendas e agradecimentos, a toda esta linha de Boiadeiros regidos por nosso pai Oxossi. Tragam velas, cuias, cuités, laço ou chicote de couros, chapéus de couro, fumos e bebidas para presentear essas entidades que são a verdadeira manifestação da cultura mestiça do Brasil. Neste dia haverá também a firmeza de frente ao congá para que todos possam colocar seus pedidos a cura da matéria, tanto para presentes ou ausentes.

É importante lembrar que UMBANDA é uma escola em aprimoramento constante e em busca da evolução para as vidas ou oportunidades futuras, esse é o nosso único objetivo e propósito, trabalhar o AMOR AO PRÓXIMO, AMANDO A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E NOS PREPARARMOS PARA UMA VIDA FUTURA OU UMA OPORTUNIDADE DE DEUS PARA SERMOS MELHORES DO QUE SOMOS. Trabalhar a calma, a paciência, a benevolência, o respeito, a compreensão, a caridade é a missão de um Umbandista. Questionar conceitos, dogmas e paradigmas, não faz e nem deve fazer parte do nosso credo. Se foi nos dado à oportunidade de trabalharmos em várias direções e ritualística, isto se deve ao fato de não sermos iguais em pensamentos e ideais, mas perante aos olhos do PAI, todos somos um só. Chegou à hora de levantarmos a nossa bandeira, de trabalhar em pró ao AMOR, esquecer as OFENSAS e principalmente deixar a comparação de lado. Se a nossa UMBANDA é CARISMÁTICA que assim seja, se a nossa UMBANDA é RENOVADORA que assim seja, o certo é que, fazemos parte de uma grande obra divina e de um grandioso plano de Deus para a sua humanidade. VIGIAI e ORAI constantemente meus irmãos, afim de não termos a nossa espiritualidade perturbada e nossas vidas desestruturadas, sem rumo, sem direção, perdidos e vagando de casa em casa, a procura de um abrigo qualquer sem sabermos onde estamos. VIGIAI e ORAI UMBANDISTA, estamos vivendo a ERA DE AQUÁRIO a ERA DAS CRIANÇAS DE ÍRIS OU ÍNDIGAS, um novo tempo começou, um novo século surgiu para a UMBANDA, chegou à hora de derrubarmos os preceitos e preconceitos movidos por paixões mesquinhas e que em nada agrega. CHEGOU A HORA UMBANDISTA E ESSE É O ÚLTIMO SEGUNDO DE SUA VIDA, aproveite-o para fazer jus a ele e a vida que nosso ZAMBI DEUS lhe deu. XETRO MARRUMBAXETRO! XETRUÁ MEUS BOIADEIROS! E que Oxalá nos abençoe a cada dia. Que assim seja e que cumpramos a nossa parte.

Flávio Ferreira

Direção Litúrgica