Umbanda tem fundamento, mas acima de tudo, tem lógica e é coerente.

Eu não sou bom, tenho ainda vários diabinhos em mim e alguns que insistem em não me deixar rs…Tenho sim, que me reencontrar com algumas pessoas que pelos meus erros eu as afastei, mas também tenho tantas outras que não hipótese, motivo ou razão em aceitá-las de novo ao meu lado na Vereda ou em minha vida.

Posso não entender de tudo na Umbanda, mas o que eu sei, garanto fazer por propriedade e não apenas pela percepção. Ao longo desses anos formei mais de 40 compromissados e centenas em corrente de Umbanda. Para mim UMBANDA TEM FUNDAMENTO, MAS ACIMA DE TUDO, TEM LÓGICA E É COERENTE.

Não há nada melhor e mais gostoso do que fazer a UMBANDA FEIJÃO COM ARROZ, simples, deliciosa e que nenhum brasileiro comum abre a mão de ter em seu prato. Umbanda é coisa séria para gente séria, assim disse o Caboclo Mirim, mas ela também é simples e tão simples para àqueles que só querem extrair o bom fruto dela, como simples é pegar as maiorias das frutas em seu pé, assim eu digo.

Nunca me atrevi a colocar a Vereda da Luz acima da minha base, porque assim eu aprendi com os Guias, mas também nunca a deixei em segundo plano e sempre a tive junto a minha base, tanto nas minhas obrigações espirituais, como com as minhas obrigações financeiras e materiais com a Casa. Daqui a exatos 30 dias, estarei completando duas coroas de compromisso e daqui a 70 dias será a vez da Michele completar as duas coroas dela, olhem bem como eu e ela fazemos a nossa Umbanda, toda vez que vocês ouvirem algo diferente do que praticamos, porque gente para contar histórias da carochinha tem muitos, mas eles só contam para quem tem interesse de ouvir. Continuamos eu e Michele, nesses mais de 15 anos de Vereda a sermos os mesmos que ouvimos e ensinamos o que sabemos, usem-nos a vontade para tirar qualquer dúvida ou para que possamos ensinar algo.

A minha Umbanda não é africana, eu não faço parte de uma religião afro descente, eu não sou ligado a sindicatos e assembléias de Umbanda e Candomblé, até porque Umbanda é Umbanda e Candomblé é Candomblé. Meus Orixás não são negros, minhas Iabas não são negros, meus Orixás não tem cor, não tem raça, não tem sexo, meus Orixás são os dedos de Deus na terra. Meus Orixás são divindades sagradas. A minha Guia não precisa de uma conta ou um fio específico, minhas Guias são iguais. O charuto do Caboclo pode ser reutilizado quantas GIRAS forem necessária, assim como a pemba, como o marafo. O Caboclo não tem coca visível, mas tem um coca espiritual. O Preto-Velho ainda não tem um chapéu visível, mas um dia ele terá, a criança como brigadeiro sim, toma guaraná porque é a água gasosa que ele conheceu, mas também toma suco de frutas, toma água. Quem disse que Boiadeiro tem que beber? Quem disse que o café hoje da Preta-Velha, não pode ser um delicioso vinho em dia de festividade? Quem disse que o Caboclo e o Preto-Velho tem que fumar? Quem disse que Caboclo não pode sorrir e que também não pode chorar?

Quem disse que os Guias não podem errar? Quem disse que os Guias podem mais que Oxalá? Que tudo posso com meu Orixá?

Quem disse que não sou luz, mas assim como ela acende, ela também pode apagar.

Eu sou o FLÁVIO e definitivamente não sou o Caboclo Tupinambá. Tenho muito orgulho, satisfação, felicidade, realização em tê-los (os Guias), ao meu lado, mas eu não sou eles, na verdade, cada um deles é que formam um pedaço de mim.

Eu sou de Umbanda porque nela eu sou feliz e ela me completa, além disso e tentar ser alguém através dela, MELHOR!

Que eu ainda possa olhar onde Oxalá olhe por mim, que eu possa andar onde Oxalá ande por mim, que eu possa tocar onde Oxalá toque por mim, que eu posso ouvir onde Oxalá ouça por mim, que eu possa sentir onde Oxalá sinta por mim, que eu possa irradiar onde Oxalá irradie por mim, que eu possa viver onde Oxalá viva por mim.

Flávio Ferreira
Diretor Liturgico

Vamos recordar

Tem algumas informações que são interessantes também, vamos recordar?

1 – paciência, paciência e mais paciência. Vereda da Luz tem CNPJ, mas nós não a tratamos como empresa, e sim, como uma casa dw oração, portanto, não há o porque de termos afobação. Não existe e nem existirá cobrança por produtividade ou por atendimentos, então, tenhamos paciência, paciência e mais paciência. Nada de correr em hipótese alguma dentro do Terreiro ou nos corredores para ter que buscar algo na sala dos armários.

2 – Existe uma trindade abençoada para trabalho que são: Entidades, Médium e Cambono, o alinhamento, a sinergia, a simbiose tem que haver para fluir melhor os trabalhos, mas, e mais, Cambono não é empregado e nem serviçal da Cleópatra. NÃO TEM QUE CHEGAR NA HORA QUE MÉDIUM PEDE, TEM QUE CHEGAR NA HORA QUE DER PARA CHEGAR. NÃO TEM QUE ARRIAR OFERENDAS JUNTO COM O MÉDIUM, PORQUE O ATO DE OFERENDAR É INDIVIDUAL, SÓ TEM QUE DESCARREGAR OS TRABALHOS DE ESQUERDA COM OS MÉDIUNS, OS DE DIREITA NÃO. NÃO TEM QUE PASSAR OU FAZER PRECEITOS QUE O PRÓPRIO MÉDIUM NÃO O FAZ.

3 – Como guarda dos materiais de trabalho dos Guias, é de bom tom que o Cambono tenha zelo e cuidado desses materiais, sempre que possível alertando o médium da necessidade da reposição de materiais ou aquisição de algo novo.

4 – Cromoterapia não é jogo de luz de boite, portanto Médiuns que não compreendem ou não buscam compreender, devem orientar as suas Entidades para não trabalhar com aquilo que não dominam. No mínimo deve se conhecer as cores quentes, normas e frias e saber a sequência de como usá-las. Os Cambonos que lá estiverem trabalhando devem procurar sempre fazer a assepsia espiritual no intervalo dos atendimentos, e isto pode ser feito lavando as mãos na cachoeira da própria cromo ou esfregando um galho de arruda nas mãos ou passando alfazema nas mãos. O Congá da cromoterapia só precisa ser cumprimentado ao abrir os trabalhos lá e quando encerrá-los.

5 – Cambono que não foi orientado onde ficam os materiais de uso dos Guias pelos Médiuns, não se responsabiliza por tê-los, isso é surreal. Se o Guia precisa de algum material e o Cambono não foi orientado pelo Médium antes, sobre isso, cabe ao médium doutrinar suas Entidades para que orientem de forma clara e objetiva onde estão os materiais que elas precisam, ou simplesmente não pedem, assim como deve ser. Guia só entrega velas ou qualquer material para assistidos, em caso de extrema necessidade, caso o contrário, o assistido é que deve ser orientado a adquirir por conta própria o que os Guias lhe pedem.

6 – Banhos de ervas só devem ser tomados com orientação restrita da espiritualidade ou minha, Médium nenhum pode orientar isso.

7 – Cada um de nós devemos entender muito bem a sua função dentro da corrente. O Chefe dos Ogãs não está ali porque é gente boa apenas, ele está por orientação espiritual, então quem toca é ele, quem abre é ele, quem fecha é ele. Não tem essa de ficar fazendo gestos com as mãos pedindo para tocar ou não tocar, a responsabilidade é dele. Cambono Chefe dos Cambonos, não foi escolhido apenas por ser gente boa, mas sim por orientação espiritual e este é visto como a referência encarnada dos Guias, portanto, há um peso e uma responsabilidade, mas este peso e responsabilidade em forma alguma pode ser confundida ou tratada como agressividade, ansiedade e ignorância. Acima de tudo somos irmãos.

8 – Entidade que não tem compromisso não tem Cambono, tem apoio da disponibilidade da corrente. Entidade que não tem compromisso não apresenta o nome, de acordo com a ordem do Caboclo Zoromar. Entidade que não tem compromisso só começa a atender após às Entidades compromissadas estarem atendendo. Entidade que não tem compromisso não pede ponto para Ogãs. Entidades que não tem compromisso não pede Guia para uso, evita-se trabalho com patuas e banho para assistidos e corrente e só usam materiais que forem autorizados pelo Caboclo Tupinambá. Entidades que não tem compromisso devem se deslocar e saudar aos compromissados pela hierarquia. Entidades que não tem compromisso não saem de dentro do Terreiro.

9 – Entidades compromissadas só saem do Terreiro com autorização do Corre-Gira. Entidades compromissadas podem pedir uso de Guias para àqueles que já tiverem a Guia de Oxalá, mas devem orientar ao médium solicitado, ter com o Caboclo Tupinambá para que o mesmo valide o uso da Guia. Entidades que fica esperando sentada uma ordem de subida, está deixando em evidência para o Terreiro o desequilíbrio do seu médium, porque se elas chegam juntas, nada as impedem de irem embora juntas, a não ser o desequilíbrio e a vaidade é claro.

10 – Não adianta ir religiosamente, corretamente, assiduamente em todas as sessões e não colocar em prática os preceitos da religião no dia a dia. A busca da felicidade, do equilíbrio, da harmonia. A paciência, a compreensão, a resignação e a bondade. A preparação física e mental para a sessão. O banho de descarga não é alegoria, é necessário antes e após, recebemos miasmas espirituais que ficam impregnadas e encostadas em nossas falhas do corpo etérico e elas se manifestam ao nosso redor no dia a dia, seja na saúde, na harmonia mental e/ou sentimental, no trabalho, na família e no lar. Eu Flávio não acredito em poder do perdão e acho bem demagogo isso para ser sincero, mas acredito no poder do amadurecimento espiritual e psicológico. Acredito que há um momento onde os erros já não são tão questionáveis, onde as mágoas já não encontram fácil acesso, onde a relevância e principalmente a resignação e algo mais palpável a ser alcançado do que o perdão.

Flávio Ferreira
Diretor Litúrgico

A volta

Quando tudo parece difícil a volta é o caminho, todo mundo um dia volta, quando os ciclos quebrados se fecham, chega a hora de recomeçar.
É possível repetir o trajeto através das migalhas de pão deixadas.
A volta propicia o reencontro com aquilo que não terminamos, as fases que não se findaram, o destino que saiu do seu percurso.
Ficamos mais maduros e certos do que queremos quando decidimos retornar. Voltar é um ato de escolha consciente. Quando subimos a montanha da vida e não encontramos nada ao olhar o horizonte, é a hora de voltar, é necessário que as bagagens fiquem e aprendemos com as lições que o passado pesa nas nossas costas. Quando vamos em busca de completar os espaços não preenchidos, não é preciso que os problemas mal resolvidos se acumulem como fardos a carregar.
Voltar à estação outra vez sem as malas é compreendermos que cada recomeço apresenta um novo olhar para o horizonte.
A música Enquanto houver amor, de Sérgio Lopes, interpretada por Cristina Mel, nos aponta exatamente esse novo olhar sobre o horizonte, quando diz em seus versos “A vida tem surpresas escondidas pra se achar e nos cabe o dom de procurar”.
A volta nos propicia desvendar essas surpresas!
As pessoas voltam para as nossas vidas, os lugares voltam, as coisas voltam e quando eles não vêm, nós podemos voltar, voltar é fazer o sonho esquecido se tornar real, é vencer aquilo que a doença nos deu esperança de continuar: reviver.
Há momentos e há dias em que a única coisa de que precisamos é voltar, a vida nos dá oportunidades de voltarmos.
É a vez de deixarmos tudo novo de novo, o sentimento da alegria recuperada se dá no retorno, o perdão camuflado, a palavra não dita, o carinho perdido, a gratidão não reconhecida, voltar é uma grande lição que a vida como professor nos ensina. Isso não tem a ver com perder, com desfazer-se do presente e abraçar o passado, isso não tem a ver com trocar de livro, mas sim com virar a página.
Ficamos a escrever a velha carta não terminada.
Temos o papel rabiscado em nossas mãos, o rascunho é tão importante quanto a obra finalizada, é ela que nos leva ao ápice do que queremos escrever.
Podemos retornar, apagar, refazer, reescrever.
O tempo nos aponta os sinais de quando podemos voltar, basta abrirmos as janelas para vê-los.
Deixemos a porta destrancada para que entrem, podemos carregar nossa mochila, entre os dedos a antiga carta e seguirmos à luz do sol.
Voltar…
Há vezes que só isso é preciso!
Não me julgue!
Eis a redoma de vidro que nos protege e esconde todas as coisas que não deixamos escapar.
Quem conhece melhor e profundamente o próprio passado e todas as marcas que os anos trazem?

As cicatrizes ficam desenhadas no coração, são traços das mágoas sofridas, do lamento sentido, da saudade e do adeus engolidos, da dor da solidão vivenciada.
Ninguém catou os espinhos das estradas onde antes só havia flores. Ninguém seguiu a sombra dos passos que percorremos, nem sonhou os sonhos que sonhamos.
Por eles, apostemos a vida, derramamos o suor de cada ato.
Andamos, caímos, levantamos.
De quem era a mão que nos tirava do poço quando sofríamos a queda?

Não havia mão sequer.
Ninguém pode escrever a história do outro na sua plenitude, sem erros, expressando o real sentimento, a verdadeira emoção de cada gesto. Então, por que tantos apontam seus dedos colocando em nós a culpa ou expressando suas opiniões se a vida deles foi outra e ninguém viveu nem sentiu o que trazemos em nós?

Fácil é acusar o outro quando nos esquecemos que somos todos pecadores.
Difícil é amá-lo na profundeza e formosura do próprio amor.
Fácil é supor as razões do outro quando não sabemos os seus pensamentos.
Difícil é estimar as suas qualidades.
Madre Tereza de Calcutá uma vez disse que “quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”.
Parece verdade.
A crítica que fazemos ocupa o espaço destinado aos bons sentimentos.
É fácil omitirmos opiniões sobre alguém quando a vida do outro não condiz com o que vivemos ou acreditamos.
É fácil darmos a sentença quando o que para nós é preconceito para o outro é uma maneira de viver bem, quando nossa crença não é a filosofia que ele escolheu, quando não tivemos a mesma formação social, emocional, psicológica, etc.
Carrega em cada passo dado o sufoco das angústias da vida.
Suporta todo o conteúdo da história vivida; as recordações na memória, o trajeto percorrido, as lágrimas derramadas.
As dores: a dor do amor perdido, a dor do amor não correspondido, a dor da traição, da negação, da acusação, do perdão não dado e do perdão não pedido.
Nele estão contidas todas as dores do mundo.
O que bloqueia o processo de prosseguir é o passado.
Ele desperta todos os medos existentes.
Apresenta todos os fatos ocorridos e lista as histórias vividas muitas vezes fracassadas.
Ele pinta o personagem do qual um dia nos vestimos e o preenche com as cores da opressão. Nele há todas as cores tristes do mundo.
Ele vem para dizer que não vai dar certo.
Que o erro vai acontecer outra vez. Que o amor vai ser esquecido no caminho.
Que os outros e as outras vão ser iguais.
É o passado que diz que todas as pessoas são iguais, e que você pode apostar, mas não vai dar certo.
Ele nos oprime nas paredes dos nossos temores.
Nele estão contidos todos os medos do mundo.
O passado pergunta quando vamos desistir, pois recorda à mente o filme das histórias mal sucedidas.
Põe dúvidas quanto a prosseguir com esta ou com aquela pessoa, pois parece já termos vivido o mesmo conto de final infeliz.
Questiona até quando vale a pena continua, até quando vamos resistir à dor e ao cansaço das situações repetidas.
Faz imaginar o mesmo triste fim para tudo.
O passado traz outra vez o espelho e nos indaga quando nos olhamos nele: É nesse ser humano em que você acredita?

E nos miramos dos pés à cabeça e relembramos as histórias de todas as vezes que não foram possível.
O passado nos faz desleais aos nossos valores.
Quando nos atinge, impede o cultivo dos princípios que temos.
Ele quer manchar a nossa essência. Denigre nossa imagem embaraçando-nos nas teias dos nossos pensamentos falsos.
Desenha a figura que temos de nós mesmos em sua visão distorcida. Porém, de uma coisa devemos nos lembrar:
Nós não somos o nosso passado.
Para vencer o inimigo, você deve enterrar o seu passado.
Desacreditar dessa maneira leviana de tentar fazer as coisas da maneira mais fácil, quando com isto alimentamos os nossos maus-hábitos.
Sim, pois o que nutre o nosso passado são os maus-hábitos e por sua vez o passado é alimentado por eles.
Como vencer o próprio passado se ele faz parte da biografia?
Vencer o passado não tange ao fato de esquecê-lo.
Você vai lembrá-lo, mas dando-lhe o mérito de sua fraqueza e de uma história que terminou.
Enquanto você remoer todas as dores sofridas, seu coração estará repleto de todas as fraquezas do mundo.
A vida se faz no presente com aquilo que temos em mãos e com as oportunidades que podemos agarrar. Pois o presente é sempre o nosso melhor amigo que nos apresenta um enredo melhor, profundo e pleno, em busca do que queremos alcançar. Dê ouvidos aos seus bons amigos que habitam em você enquanto o seu velho inimigo cansado se desfaz pelas novas escolhas.
Termino esse texto com a frase de Stephani Ignatti: “Não venha me julgar. De mim você conhece apenas a parte que eu lhe permito conhecer”.

Pense nisso!!!

Flavio Ferreira

Liturgia sobre Ogum

“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu
nome e em nome de seu Evangelho” – Caboclo Tupinambá.

A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS – CAPÍTULO XIX – A FÉ RELIGIOSA.
CONDIÇÃO DA FÉ INABALÁVEL – EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

6. Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão.
Levada ao excesso produz o fanatismo. Assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do
progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém
a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

7. Diz-se vulgarmente que a fé não se prescreve, donde resulta alegar muita gente que não lhe cabe a culpa de não ter fé. Sem dúvida, a fé não se prescreve, nem, o
que ainda é mais certo, se impõe. Não; ela se adquire e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários. Falamos das verdades espirituais básicas e não de tal ou qual crença particular. Não é à fé que compete procurá-los; a eles é que cumpre ir-lhe ao encontro e, se a buscarem sinceramente, não deixarão de achá-la.
Tende, pois, como certo que os que dizem: “Nada de melhor desejamos do que crer, mas não o podemos”, apenas de lábios o dizem e não do íntimo, porquanto, ao dizerem
isso, tapam os ouvidos. As provas, no entanto, chovem-lhes ao derredor; por que fogem de observá-las? Da parte de uns, há descaso; da de outros, o temor de serem forçados a mudar de hábitos; da parte da maioria, há o orgulho, negando-se a reconhecer a existência de uma força superior, porque teria de curvar-se diante dela.

Em certas pessoas, a fé parece de algum modo inata; uma centelha basta para desenvolvê-la. Essa facilidade de assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de
anterior progresso. Em outras pessoas, ao contrário, elas dificilmente penetram, sinal não menos evidente de naturezas retardatárias. As primeiras já creram e
compreenderam; trazem, ao renascerem, a intuição do que souberam: estão com a educação feita; as segundas tudo têm de aprender: estão com a educação por fazer. Ela,
entretanto, se fará e, se não ficar concluída nesta existência, ficará em outra.
A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é
a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século, tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve. Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis porque não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

OGUM NA UMBANDA

Inicialmente devemos perder de vista a ideia preconcebida de que Ogum seja um ser individualizado, personificado na figura de um santo. Ogum não é um ente; é uma vibração divina, um Orixá. Uma das sete vibrações originárias emanada diretamente de Deus. Ogum é a vibração que nos impulsiona à luta, às guerras, é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer as constantes batalhas que travamos em nosso cotidiano. Ele nos move, é a direção para o campo íntimo e verdadeiro, é a força que nos dá a esperança e nos anima para continuar a viver, sobrevivência. É invocação para vencer demandas, desfazer malefícios causados por espíritos de baixo grau evolutivo, para
acender a chama da fé.

No campo dos fenômenos naturais, a vibração Ogum é a que está ligada ao fogo em todas as suas manifestações. No campo da divindade ele está ligado ao elemento da natureza chamado: SER HUMANO. Além disso, Ogum também está ligado aos metais em geral, sendo que o ferro e o aço puro são consagrados à vibração, na conta de metais sagrados. Seu dia 23 de abril se dá ao sincretismo com São Jorge, sua cor é vermelha e na semana ele vibra na TERÇA-FEIRA. Suas principais ervas são: Espada de São Jorge, Romã (folha), Jurubeba, Comigo-Ninguém-Pode, Erva de Bicho, Losna e Cinco Folhas.
Ele é o Orixá Patrono da Umbanda, General de Umbanda, Chefe da Esquerda. Por estar ligado diretamente à essência divina e nós seres humanos, a Linha de Trabalho de
Ogum possui atuação em todas as vibrações originárias, sendo SETE vibrações que podem ser manifestadas na Umbanda tanto por seus Falangeiros, como pelos Caboclos
de Ogum, são elas:

OGUM DE LEI / MATINATA: Trabalha em vibração com Oxalá / Ibeijada;
OGUM BEIRA-MAR: Trabalha em vibração com Iemanjá;
OGUM MALEI / MALÊ: Trabalha em vibração com Xangô / Orientais;
OGUM ROMPE-MATO: Trabalha em vibração com Oxóssi;
OGUM IARA: Trabalha em vibração com Oxum / Iansã;
OGUM MEGÊ: Trabalha em vibração com Omulú / Almas e
OGUM DE RONDA: Trabalha em vibração com Obaluiaê / Exú.

Os Caboclos de Ogum se manifestam de forma bem firme e rápida, marcando muito bem sua presença. Costumam bater uma das mãos no peito e emitir um brado bastante sonoro. Em seus trabalhos aplicam passes de limpeza magnética e de energias revigorantes. Costumam aplicar os passes, portanto Espadas de São Jorge em suas mãos, que utilizam como condensadores e dispersores de energias. Na essência, as Entidades que trabalham nessa linha, assim como acontece em todas as demais, não têm necessariamente de ter tido encarnações como índios, pois “Caboclo” é um arquétipo. O que importa então é a capacidade de trabalho e a sintonia com a vibração da Linha.
Esses são os nomes mais comuns para os Caboclos de Ogum: Caboclo Rompe Mato, Caboclo Beira-Mar, Caboclo Sete Espadas, Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Pena Vermelha, Caboclo Pena Azul, Caboclo Akuan, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Icaraí, Caboclo Tamoio, Caboclo Sete Ondas, Caboclo Águia Solitária, Caboclo Lua Vermelha e Caboclo Lua Azul. Todos atuam em sintonia com o Campo do Humaitá, local de batalhas terrenas e espirituais.

Humaitá é uma palavra de origem indígena que quer dizer “pedra preta” ou “a pedra agora é negra”. Era o nome de uma fortaleza paraguaia, derrubada pelos brasileiros durante a Guerra do Paraguai, em 1868. Grande parte dos combatentes eram escravos negros. Conta-se que muitos haviam substituído os filhos dos seus donos no alistamento para o conflito. Quando retornavam, com o corpo mutilado pela lembrança e pela dor, esses escravos ganhavam a alforria de seus senhores e podiam gozar da liberdade. Esse combate foi muito marcante, tanto que o campo de batalha do Humaitá passou a ser visto como símbolo de vitória, lugar de vencer demandas e desafios. Afinal, aquela guerra não era deles, mas ainda assim eles combateram de peito aberto, sob a proteção de Ogum.

A palavra entrou para os Pontos Cantados de Umbanda e assumiu outro sentido, passou a ser um lugar sagrado, onde mora Ogum, porque havia sido uma terra de penas e de dor, mas também onde se provara a fé daquela gente. O nome indígena do lugar se deve à presença massiva de descendentes de escravos na região. Há vários pontos que fazem referência ao Humaitá, citando que lá Ogum jurou sua bandeira, deu mostras de sua fidelidade e de que nunca nos abandona, exemplo:

Beira-Mar auê, Beira-mar – Beira-Mar auê, Beira-mar.
Ogum já jurou bandeira, nos campos do Humaitá.
Ogum já venceu demanda, vamos todos sarava!
Ê Beira-Mar!

Portanto, Humaitá tem tudo a ver com a Umbanda. É um lugar de nome indígena para onde os negros escravos foram mandados a guerrear. Traz em si a força dos Caboclos e dos Pretos-Velhos. Mas acima de tudo, é uma terra onde reina Ogum, o combatente, o guerreiro, o vitorioso e nós estamos ligados diretamente a este campo de força. O campo do Humaitá está nós, nas nossas batalhas, nas nossas lutas, na nossa fé, na nossa perseverança, por isso OGUM vibra em todos nós.

Ogunhê! Patacuri Ogum!

VEREDA DA LUZ – CASA ESPIRITUAL
28/08/2017
Flávio Ferreira Costa
Diretor de Liturgia

20 de julho – Dia do amigo

HOJE dia do AMIGO, acordei me lembrando de uma parábola contada por um grande AMIGO, numa noite em que pude estar sentado ao seu lado, saboreando a sua SABEDORIA.

O FÓSFORO E A VELA

Certo dia, o fósforo disse para a vela:

Hoje te acenderei!

Ah não! – disse a vela. Você não percebe que se me acender, meus dias estarão contados? Não faça uma maldade dessa…

Então você quer permanecer toda a sua vida assim? Dura, fria e sem nunca ter brilhado?  – perguntou o fósforo.

Mas tem que me queimar? Isso dói demais e consome todas as minhas forças – murmurou a vela.

O fósforo respondeu:

Tem toda razão! Mas essa é a nossa missão. Você e eu fomos feitos para ser luz. O que eu, apenas como fósforo, posso fazer, é muito pouco. Minha chama é pequena e curta. Mas, se passo a minha chama para ti, cumprirei com o sentido de minha vida. Eu fui feito justamente para isso, para começar o fogo. Já você é a vela. Sua missão é brilhar. Toda tua dor e energia se transformará em luz e calor por um bom tempo.

Ouvindo isso, a vela olhou para o fósforo, que já estava no final da sua chama, e disse:

Por favor, acende-me…

E assim produziu uma linda chama.

Assim como a vela, às vezes, é necessário passar por experiências ruins, experimentar a dor e sofrimento para que o melhor que temos seja oferecido e que possamos ser luz. E a verdade é que mar calmo não faz bons navegadores. Os melhores são revelados nas águas agitadas.

Então, se tiver que passar pela experiência da vela, lembre-se que espalhar o Amor é o combustível que nos mantém acesos. Se você não tem forças  pra ser luz busque em Deus o Sol da Justiça, fonte inesgotável de luz!!!

VOCÊ É LUZ NO MUNDO…

Brilhe e irradie essa Luz!

Deus nos abençoe e que tenhamos um excelente dia do AMIGO!

Flávio Ferreira

A vida de médium

Então sexta-feira ele saiu apressado do escritório. Antes de entrar no carro, recusou o convite para um chopinho com o pessoal de sua repartição. Ouviu uma ou duas gracinhas, mas nem se importou, já estava acostumado com aquela situação. Seus amigos não entendiam a tamanha dedicação que ele tinha por sua religião.

Chegou a sua casa e foi direto se preparar para o banho, seus pensamentos já estavam todos focados no que aconteceria naquela noite. Passou pelo quintal e pegou uma vasilha com um líquido de ervas dentro. Ele havia preparado no dia anterior, e deixou lá tomando sol e sereno. Alguém lhe dissera que isto potencializava a energia daquele macerado. Banho tomado, líquido com as ervas no corpo derramado, e lá estava ele. Já nem parecia mais o executivo de terno e gravata, celulares e compromissos importantes. Todo de branco, cabelo sem gel e uma felicidade estampada no semblante. Beliscou um pedacinho de pão caseiro que estava sobre a mesa, pois naquela noite não iria jantar. Olhou no relógio como quem calcula minuto por minuto para não se atrasar. Coração já começara a bater mais forte, pois a semana inteira esperou por este dia. Voltou ao quintal e entrou em algo que parecia um quartinho. No local, em cima de algumas prateleiras forradas com toalhas brancas, imagens, pedras, velas, incensos e um curioso bem estar. Acendeu uma vela branca bem ao centro, fez suas orações pedindo à espiritualidade que lhe acompanhasse. Olhou para a imagem de um índio que estava na prateleira ao lado, e, em silêncio, como quem fala com o olhar, pediu para ele também lhe acompanhar. Bateu a cabeça naquele altar, respirou fundo e sentiu as batidas de seu coração aumentar.

Logo já estava lá, uma casa simples, porém, muito bem organizada. Na entrada se curvou como quem cumprimenta alguém. Abraçou seus amigos, pediu a benção para um senhor, guardou uma mochila que trazia com ele. Bateu a cabeça em algo muito parecido com o altar que ele tinha em sua casa, mas bem maior. Posicionou-se como que fazendo parte de um círculo de pessoas. Todos em silêncio, em oração. Estava ele em uma corrente de irmãos. Fora da corrente, pessoas se acomodavam em bancos. Novos, velhos, pobres, ricos, brancos, pretos e amarelos. Não havia distinção. Todos seriam atendidos naquela noite. O toque do tambor demonstra que está começando a reunião. Reunião de pessoas encarnadas e desencarnadas, em nome do amor. Uma lata perfurada, com ervas sobre a brasa, é passada de um lado para outro. Nesta hora seu coração ficou sereno. Não está mais ansioso, está entregue de corpo, alma e pensamento. Pedindo a Deus que faça dele seu instrumento.

Mais adiante, depois de algumas canções e palmas, ouve-se uma letra que fala das matas, dos nativos da floresta. Seu pensamento se volta até a imagem do índio com quem trocou olhares em sua casa. Sente então uma presença ao lado, e mesmo sem nada ver, sabe que é ele que está ali. Sabe que ele lhe escutou, atendeu seu pedido e lhe acompanhou. Nesse momento seu coração novamente disparou. Toda a espera da semana, as preparações que antecederam este momento e a recusa do chopinho com o pessoal do seu departamento. Seu mentor unido a ele espiritualmente para mais uma noite de caridade, mais uma noite cumprindo sua missão. Mais uma noite na vida de um médium de coração.

Escrito em 05/02/2011 por Ricardo Barreira