Coração de Pombagira

Em meados dos anos 30, existiu uma mulher infeliz, de beleza exuberante e inteligência rara, Elisa se achava uma mulher sem sorte. Todos que a cercavam, todos a quem amava pareciam sofrer com ela. “Uma maldição pensava ela”.
Casada, mas num casamento infeliz e sem se sentir realizada. Embora Marcos seu marido, a amasse e desejava-a, mesmo só possuindo-a uma vez na primeira noite, só alcançava a ereção desde este momento com outras mulheres, apesar de seu tremendo desejo por Elisa.

No começo, nem tudo era sofrimento. Imaginavam que o problema de Marcos era causado devido às preocupações do trabalho. Marcos era parlamentar de grande influencia no Estado da Guanabara, homem de família rica e tradicional, porém apenas um jovem em amadurecimento. O tempo passava e como não encontrava solução, Marcos passou a freqüentar
os cabarés da cidade por influencia de sua fraqueza e pelo seu ciclo de amizades. Com o tempo passou a se enterrar de vez nos cabarés. Ia chorar sua desventura no colo das meretrizes.

Logo Elisa viu que o marido passou a se servir de meretrizes na obscuridade, o que a atormentava dolorosamente. Ela sofria pelas dores do marido e por não saber o quê fazer, enquanto ele a acusava de rejeitá-lo e por vezes batia nela, extravasando a sua fraqueza.

Daquela única vez com sua mulher nasceu Vitória. A menina cresceu bonita e saudável até os sete anos. Depois começou a definhar. “É a maldição!” Elisa se culpava. A partir de então todas as especialidades médicas foram consultadas, todas as promessas foram pagas, todas as rezas foram rezadas. Consultados médiuns e videntes, cartomantes e benzedeiras, padres, pastores, profetas e nada. Enquanto isso a saúde da menina e a vida de casada decaía dia a dia sem nenhuma explicação.
Até que Elisa levada pelo desespero e com suas forças minando, encheu-se de coragem e foi procurar um Centro de Umbanda no centro da cidade. Centro este que conheceu através de conversas com as amigas nas rodas sociais, quando uma delas disse ter encontrado o elixir da vida nas mãos de uma Pombagira, ajudando-a na recuperação de seu casamento, que até aquele momento sofria tamanho desequilíbrio. Chegando ao terreiro, foi atendida por Mãe Maria, que logo lhe falou: “Minha filha, você nasceu com a beleza de Oxum e a majestade de Xangô, mas seu coração é de Pombagira”.

Mãe Maria continuou a falar sem que Elisa tivesse a oportunidade de se manifestar, tamanha a clareza de sua situação que era narrada por Mãe Maria, a qual nunca tinha visto. “A sua vida recatada, seu senso de pudor, sua modéstia, a repressão de costumes que você mesma se impunha, a falta de interesse pelo sexo, tudo isso negava os sentimentos de seu coração, contrariava sua natureza. A cura, a redenção dela e dos seus, tinha uma só receita: libertar seu coração, deixar sua Pombagira viver”. Foi à sentença da Mãe Maria.

Ali mesmo, naquele dia e hora, sem saber como nem por que, Elisa foi tomada por fortes vibrações e energias que percorriam toda a sua matéria, toda a sua alma. Sem perceber deixou-se possuir por três homens, que no terreiro tocavam os atabaques. O prazer foi imenso, nunca havia sentido nada igual: leve e livre pela primeira vez na vida. Quando a consciência tomou conta dela novamente, lembrou-se da filha. Voltou correndo para casa e como encanto, encontrou a menina melhor… muito melhor. Corria sorridente, pedia comida, queria brincar, com tal energia que Elisa não se lembrava da última vez que tinha visto a menina assim.

No dia seguinte, Elisa não suportava os sentimentos que conflitavam em seu intimo. Uma mistura de alegria com medo, de realização com vergonha e claro de extrema curiosidade para entender o que aconteceu e o que aconteceria desde momento em diante. Na semana seguinte voltou ao terreiro, e surpreendentemente pra ela Mãe Maria já a aguardava. “Sabia que voltaria, seu caminho é longo ainda minha filha. Se perdendo você irá se encontrar”. Depois a abençoou, a abençôo e se despediu.

Um dos homens com quem se deitara na semana anterior, tomado por grande encantamento e desejos que lhe percorriam o corpo desde o acontecido, lhe deu um endereço, também no centro da cidade, de um cabaré. Disse-lhe que iria lhe aguardar daquele momento em diante nas tardes que estariam por vir naquele local de meretrício, e que Elisa iria se sentir realizada e cada vez melhor por estar lá.

Enquanto Elisa voltava para casa mais feliz e esperançosa, com a sua filha melhorando a olhos vistos. Percorria em seus pensamentos o enorme desejo de estar naquele cabaré que o homem havia lhe falado. Logo não resistiu aos seus impulsos, até que a vontade e o desejo falaram mais altos e Elisa começou a freqüentar o cabaré. Passava as tardes lá, enquanto o marido trabalhava. Para preservar a honra do marido e de sua família, Elisa se vestia de cigana, cobrindo o rosto com um véu. Além é claro de o mistério tornar tudo mais excitante.

Rapidamente a sua fama se vez. A clientela crescia e todos queriam ter com aquela meretriz que não aceitava os homens, se estes não viessem acompanhados de presentes e agrados de fino trato. Mesmo agora meretriz nas tardes daquele cabaré, preservava em si os bons hábitos do que usava, do que bebia, do que fumava, oriundo das altas rodas sociais que freqüentava com o marido.
“Vocês já conhecem a nova meretriz da cidade que todos chamam de Cigana e que não aceita homens de forma alguma, a não ser que os mesmo lhe ofereçam champagne, é isso mesmo, champagne, bons perfumes e boas jóias” diziam os freqüentadores da alta roda e assim Marcos soube da nova prostituta e quis experimentar. Até que um dia foi até o cabaré do centro e com as mãos recheadas de jóias, levou a Cigana pra cama. O prazer foi surpreendente, muito maior do que sentira com Elisa e que nunca fora superado com outra mulher. A partir daí seria escravo da Cigana se ela assim o desejasse. Mas a Cigana nunca mais quis recebê-lo.

Cercada de decepção e com revolta por ter seu marido em um cabaré e não em seu casamento. Por tamanha angustia ao ponto de tê-la feito se tornar meretriz e como se ainda não bastasse agora à vida ainda lhe reservou um novo infortuno de ter passado à tarde com aquele a quem amava, porém ele estando à procura de outra. Ela fugiu de casa para morar de vez no cabaré. Sem se importar com mais nada, desprezando até os cuidados com a própria filha a qual tanto amava.

Mas Marcos voltou, e por vezes voltou e voltava cada vez mais cercado de desejos e de presentes a ela. A insistência dele foi inútil. “Um dia te mato na porta do cabaré”, ele a ameaçou, ressentido e enciumado, enquanto ela se mantinha irredutível. Mas num entardecer de inverno, ele esperou pela Cigana na porta do cabaré, sendo rejeitado novamente. Movido pela ira e pela rejeição que havia acabado de passar mais uma vez, lhe deu sete facadas. Assustado, olhou o corpo ensangüentado da morta estirado no chão e reconheceu, no piscar do néon do cabaré, o rosto desvelado de Elisa. Um enfarto nessa hora o matou ali mesmo.

Longe dali, no Terreiro de Umbanda da Mãe Maria, o ritmo dos tambores era
arrebatador. Os médiuns giravam na roda, esperando a incorporação de suas entidades. Na gira de Quimbanda, Exus e Pombagiras eram chamados. Os assistidos, que lotavam a platéia, esperavam sua vez de falar de seus problemas e resolver suas causas. As entidades foram chegando, e o ambiente se encheu de gargalhadas e gestos obscenos. O ar cheirava a suor, perfume barato, fumaça de tabaco, cachaça e cerveja. A força invisível da magia ia se tornando mais espessa, quase podia ser tocada.
Cada entidade manifestada através da incorporação se identificava cantando seu ponto. De repente, uma médium iniciante, e que nunca entrara em transe, incorporou uma Pombagira. Com atrevimento ela se aproximou dos atabaques e cantou o seu ponto, que até então ninguém ali ouvira:
“Você disse que me matava – Na porta do cabaré – Me deu sete facadas – Mas nenhuma me acertou”…
“Sou Pombagira Cigana – Aquela que você amou – Cigana das Sete Facadas – Aquela que te amou”.

Mãe Maria correu para receber a Pombagira, abraçou-a e lhe ofereceu uma taça de champagne. “Seja bem-vinda, minha senhora. Seu coração foi libertado”, disse-a ao mesmo tempo em que se curvava para cumprimentá-la. Pombagira Cigana das Sete Facadas retribuiu o cumprimento e, gargalhando, se pôs a dançar no Terreiro. Pombagira é um Exu feminino. Apela-se especificamente para a solução de problemas relacionados a fracassos e desejos da vida amorosa e da sexualidade. Pombagira é grande protetora das mulheres e também propicia qualquer tipo de união amorosa ou erótica.

Na concepção Umbandista elas norteiam dezenas de espíritos de homens e mulheres que em vida tiveram uma biografia socialmente marginal. O culto dessas entidades é reunido em rituais de Quimbanda dentro da Umbanda, com aspectos voltados diretamente a vida terrena.

Este culto dá acesso às dimensões mais próximas do mundo da natureza, dos instintos, das pulsações sexuais, das aspirações e desejos inconfessos. Revela este lado “menos nobre” da concepção de mundo e de agir no mundo.
A Umbanda aceita o mundo como ele é e ensina que cada um deve lutar para realizar seus desejos. Por isso a Umbanda é vista com freqüência como libertadora. Não se crê no pecado, nem em premiação ou punição após a morte. A vida é boa e deve ser levada com prazer e alegria. Nessa busca da realização dos anseios humanos mais íntimos, Exus e Pombagiras reforçam sem dúvidas uma importante valorização da intimidade, “às vezes obscura”, de cada um de nós, pois para os Exus e Pombagiras não há desejo ilegítimo, nem aspirações inalcançável e nem fantasias reprováveis. Embora nem todos os desejos, aspirações e fantasias, sejam trabalhados nessa linha, dependendo do grau de evolução das entidades e da doutrinação do terreiro a qual elas trabalham.

Flávio Ferreira
Direção Liturgia

Liturgia sobre Ogum

“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu
nome e em nome de seu Evangelho” – Caboclo Tupinambá.

A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS – CAPÍTULO XIX – A FÉ RELIGIOSA.
CONDIÇÃO DA FÉ INABALÁVEL – EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

6. Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão.
Levada ao excesso produz o fanatismo. Assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do
progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém
a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

7. Diz-se vulgarmente que a fé não se prescreve, donde resulta alegar muita gente que não lhe cabe a culpa de não ter fé. Sem dúvida, a fé não se prescreve, nem, o
que ainda é mais certo, se impõe. Não; ela se adquire e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários. Falamos das verdades espirituais básicas e não de tal ou qual crença particular. Não é à fé que compete procurá-los; a eles é que cumpre ir-lhe ao encontro e, se a buscarem sinceramente, não deixarão de achá-la.
Tende, pois, como certo que os que dizem: “Nada de melhor desejamos do que crer, mas não o podemos”, apenas de lábios o dizem e não do íntimo, porquanto, ao dizerem
isso, tapam os ouvidos. As provas, no entanto, chovem-lhes ao derredor; por que fogem de observá-las? Da parte de uns, há descaso; da de outros, o temor de serem forçados a mudar de hábitos; da parte da maioria, há o orgulho, negando-se a reconhecer a existência de uma força superior, porque teria de curvar-se diante dela.

Em certas pessoas, a fé parece de algum modo inata; uma centelha basta para desenvolvê-la. Essa facilidade de assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de
anterior progresso. Em outras pessoas, ao contrário, elas dificilmente penetram, sinal não menos evidente de naturezas retardatárias. As primeiras já creram e
compreenderam; trazem, ao renascerem, a intuição do que souberam: estão com a educação feita; as segundas tudo têm de aprender: estão com a educação por fazer. Ela,
entretanto, se fará e, se não ficar concluída nesta existência, ficará em outra.
A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é
a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século, tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve. Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis porque não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

OGUM NA UMBANDA

Inicialmente devemos perder de vista a ideia preconcebida de que Ogum seja um ser individualizado, personificado na figura de um santo. Ogum não é um ente; é uma vibração divina, um Orixá. Uma das sete vibrações originárias emanada diretamente de Deus. Ogum é a vibração que nos impulsiona à luta, às guerras, é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer as constantes batalhas que travamos em nosso cotidiano. Ele nos move, é a direção para o campo íntimo e verdadeiro, é a força que nos dá a esperança e nos anima para continuar a viver, sobrevivência. É invocação para vencer demandas, desfazer malefícios causados por espíritos de baixo grau evolutivo, para
acender a chama da fé.

No campo dos fenômenos naturais, a vibração Ogum é a que está ligada ao fogo em todas as suas manifestações. No campo da divindade ele está ligado ao elemento da natureza chamado: SER HUMANO. Além disso, Ogum também está ligado aos metais em geral, sendo que o ferro e o aço puro são consagrados à vibração, na conta de metais sagrados. Seu dia 23 de abril se dá ao sincretismo com São Jorge, sua cor é vermelha e na semana ele vibra na TERÇA-FEIRA. Suas principais ervas são: Espada de São Jorge, Romã (folha), Jurubeba, Comigo-Ninguém-Pode, Erva de Bicho, Losna e Cinco Folhas.
Ele é o Orixá Patrono da Umbanda, General de Umbanda, Chefe da Esquerda. Por estar ligado diretamente à essência divina e nós seres humanos, a Linha de Trabalho de
Ogum possui atuação em todas as vibrações originárias, sendo SETE vibrações que podem ser manifestadas na Umbanda tanto por seus Falangeiros, como pelos Caboclos
de Ogum, são elas:

OGUM DE LEI / MATINATA: Trabalha em vibração com Oxalá / Ibeijada;
OGUM BEIRA-MAR: Trabalha em vibração com Iemanjá;
OGUM MALEI / MALÊ: Trabalha em vibração com Xangô / Orientais;
OGUM ROMPE-MATO: Trabalha em vibração com Oxóssi;
OGUM IARA: Trabalha em vibração com Oxum / Iansã;
OGUM MEGÊ: Trabalha em vibração com Omulú / Almas e
OGUM DE RONDA: Trabalha em vibração com Obaluiaê / Exú.

Os Caboclos de Ogum se manifestam de forma bem firme e rápida, marcando muito bem sua presença. Costumam bater uma das mãos no peito e emitir um brado bastante sonoro. Em seus trabalhos aplicam passes de limpeza magnética e de energias revigorantes. Costumam aplicar os passes, portanto Espadas de São Jorge em suas mãos, que utilizam como condensadores e dispersores de energias. Na essência, as Entidades que trabalham nessa linha, assim como acontece em todas as demais, não têm necessariamente de ter tido encarnações como índios, pois “Caboclo” é um arquétipo. O que importa então é a capacidade de trabalho e a sintonia com a vibração da Linha.
Esses são os nomes mais comuns para os Caboclos de Ogum: Caboclo Rompe Mato, Caboclo Beira-Mar, Caboclo Sete Espadas, Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Pena Vermelha, Caboclo Pena Azul, Caboclo Akuan, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Icaraí, Caboclo Tamoio, Caboclo Sete Ondas, Caboclo Águia Solitária, Caboclo Lua Vermelha e Caboclo Lua Azul. Todos atuam em sintonia com o Campo do Humaitá, local de batalhas terrenas e espirituais.

Humaitá é uma palavra de origem indígena que quer dizer “pedra preta” ou “a pedra agora é negra”. Era o nome de uma fortaleza paraguaia, derrubada pelos brasileiros durante a Guerra do Paraguai, em 1868. Grande parte dos combatentes eram escravos negros. Conta-se que muitos haviam substituído os filhos dos seus donos no alistamento para o conflito. Quando retornavam, com o corpo mutilado pela lembrança e pela dor, esses escravos ganhavam a alforria de seus senhores e podiam gozar da liberdade. Esse combate foi muito marcante, tanto que o campo de batalha do Humaitá passou a ser visto como símbolo de vitória, lugar de vencer demandas e desafios. Afinal, aquela guerra não era deles, mas ainda assim eles combateram de peito aberto, sob a proteção de Ogum.

A palavra entrou para os Pontos Cantados de Umbanda e assumiu outro sentido, passou a ser um lugar sagrado, onde mora Ogum, porque havia sido uma terra de penas e de dor, mas também onde se provara a fé daquela gente. O nome indígena do lugar se deve à presença massiva de descendentes de escravos na região. Há vários pontos que fazem referência ao Humaitá, citando que lá Ogum jurou sua bandeira, deu mostras de sua fidelidade e de que nunca nos abandona, exemplo:

Beira-Mar auê, Beira-mar – Beira-Mar auê, Beira-mar.
Ogum já jurou bandeira, nos campos do Humaitá.
Ogum já venceu demanda, vamos todos sarava!
Ê Beira-Mar!

Portanto, Humaitá tem tudo a ver com a Umbanda. É um lugar de nome indígena para onde os negros escravos foram mandados a guerrear. Traz em si a força dos Caboclos e dos Pretos-Velhos. Mas acima de tudo, é uma terra onde reina Ogum, o combatente, o guerreiro, o vitorioso e nós estamos ligados diretamente a este campo de força. O campo do Humaitá está nós, nas nossas batalhas, nas nossas lutas, na nossa fé, na nossa perseverança, por isso OGUM vibra em todos nós.

Ogunhê! Patacuri Ogum!

VEREDA DA LUZ – CASA ESPIRITUAL
28/08/2017
Flávio Ferreira Costa
Diretor de Liturgia