Obaluaiê Na Umbanda

Este é o dia das Almas, o dia de Obaluaiê, que significa o Senhor da Terra. Filho de Nanã e irmão de Omulú, ele é o mais moço, é guerreiro e caçador, já o seu irmão é o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, o guardião. Ambos considerados a mesma força da natureza, um o polo negativo o outro o positivo. Na Umbanda é sincretizado com São Roque (1295 / 1327),
o santo da saúde e das epidemias, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos e cirurgiões. É também considerado por algumas comunidades católicas como protetor do gado contra doenças contagiosas e auxiliador ao tratamento de animais e de cães. Obaluaiê é o Sol, a quentura e o calor.

Senhor das moléstias e das epidemias, o médico. É ele quem guarda os segredos das plantas medicinais que servem para o estômago e para o intestino, enfermidades que cometem esses órgãos normalmente que começam com febres, vômitos e diarreias. Ele reage à fisiologia do nosso organismo e também a pele, nosso maior órgão.

No culto de Almas, Obaluaiê é enviado para buscar o EGUN (espírito desencarnado) na hora do desenlace. Ele representa a manifestação da renovação dos espíritos decaídos, resgatador das suas dívidas cármicas, trabalha como ceifador dos erros, ou seja, é o senhor dos mortos e o regente dos cemitérios considerado o campo santo entre o mundo terrestre material e o mundo astral espiritual, trabalhando com muito amor na guia destes espíritos.

Trabalha sempre ao lado de Omulú, tendo como imediato o Sr. Exú Caveira o guardião dos cemitérios. Quando sua irradiação entra nos Terreiros de Umbanda, a entidade que traz sua essência, sempre se apresenta com a cabeça coberta, pois, Obaluaiê tinha muitas feridas e cobria seu rosto com palha para que ninguém pudesse ver as feridas.

Diz uma lenda africana que ele estava em uma festa e ninguém queria dançar com ele sabendo de suas feridas, até que Iansã veio até ele levantou a palha de seu rosto e com sua ventarola provocou um vento tão forte que as feridas de Obaluaiê saíram do corpo dele se transformando em pipoca.

Dia 26 de julho, dia de Nanã Buruquê

26/07 – DIA DE NANÃ BURUQUÊ – Mulher nazarena que apesar de não ser mencionada nos Evangelhos, pela tradição da Igreja Católica seria a mãe da Virgem Maria e, portanto, avó materna de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, era filha de Natã, sacerdote Belemita, e de Maria, e foi a mais jovem de três irmãs bíblicas. Suas outras irmãs mais velhas seriam Maria de Cleofas, mãe de Salomé, e Sobé, mãe de Santa Isabel, que geraria São João Batista. Casou-se com São Joaquim e por muitos anos permaneceu estéril, só dando à luz a Maria em idade avançada.

Teria morrido pouco depois de apresentar Maria no Templo, consagrando-a a Deus, quando a filha contava apenas três anos de idade. Seu culto difundiu-se no Oriente, e no século VI o Imperador Justiniano mandou erguer-lhe um Templo em Constantinopla. Nos séculos seguintes a veneração expandiu-se também pela Europa. Em uma bula (1584) o papa Gregório XIII instituiu que sua festa seria comemorada no dia 26 de julho, mês que passou a ser denominado mês de Sant’Ana.

Venerada como padroeira das mulheres casadas, especialmente das grávidas, cujos partos torna rápidos e bem-sucedidos, é também protetora das viúvas. Foi sincretizada na Umbanda pelo o Orixá mais antiga, a mais temida de todos e a mais respeitada. Ela tem o poder de dar a vida e forma aos seres humanos, por isso é também considerada orixá da fecundação e dos primórdios da criação. Ela é a deusa dos pântanos e da morte (associada à terra, para onde somos levados).

Nanã está presente nos lodaçais, lamaçais, pois nasceu do contato da água com a terra, formando a lama, dando origem a sua própria vida. Ela é a chuva, a garoa, o banho de chuva é uma lavagem do corpo na sua essência, uma limpeza de grande força. Nanã é a mãe de Obaluaiê e Omulu, conhecidos como o elo negativo e o positivo, um cuidando das enfermidades da alma e o outro das enfermidades físicas.

Tratou sempre de si e de seus filhos de forma nobre, nunca se metendo ou preocupando com o que as outras pessoas faziam da própria vida. Certa vez, Ogum travou batalha com Nanã pelo direito de passar por suas terras. Por ser um forte e valente guerreiro, não admitia em pedir licença a uma “velha” para entrar em seus domínios. Diante dos perigos do pântano e da ira de Nanã, foi obrigado a bater em retirada tendo que achar outro caminho, longe das terras dela. Ela por sua vez, aboliu o uso de metais em suas terras (por este ser ferramenta de Ogum). E até hoje, nada pode ser feito com lâmina de metal para ela.

“SALUBA NANÃ A SUA SABEDORIA, SALUBA NANÃ A MINHA EVOLUÇÃO”, é isto que pedimos a Nanã. Sempre que possível, lembrar-se que aos sábados devemos cumprir jejum em fortalecimento ao espírito e em busca de equilíbrio entre o psíquico, o espiritual e o material. Neste dia 26 acenda uma vela para Nanã junto com um copo d’água, solicitando bons fluidos e equilíbrio de energias para o seu lar.

Liturgia sobre Xangô das Cachoeiras

24/06 – DIA DE XANGÔ – Na nossa casa celebramos os dias 24 de junho e 30 de setembro em oferendas a Xangô. No sincretismo associou-se o Xangô das Pedreiras a São Jerônimo, aquele que amansa o leão e que tem o poder da escrita e o livro onde escreve na pedra suas leis e seus julgamentos. Já na cachoeira o sincretismo foi com São João Batista, por causa do batismo a Jesus, por lavar sua cabeça na água doce para se purificar.

Com o poder do fogo de Xangô é queimado, destruído tudo o que é de ruim e ocorre a transmutação trazendo tudo o que é de bom, todo o bem possível, de acordo com o nosso merecimento. Isso é o que pedimos nas fogueiras do mês de junho. Alguns dizem que São Pedro e São Judas Tadeu, por ter um livro na mão também pode sincretizar-se com Xangô ou que tem uma linha espiritual que atua nas correntes de Xangô, mas estes não se agregam em nosso Terreiro.

São João Batista nasceu no dia 24 de Junho. Era filho de Zacarias e Isabel, e primo de Jesus Cristo. Nasceu com a missão de preparar o caminho para a chegada do Messias. Por esse motivo, a imagem de São João Batista é geralmente apresentada como um menino com um carneirinho no colo, pois foi ele, segundo a Bíblia, que anunciou a chegada do cordeiro de Deus, o Cristo Jesus. O santuário natural, sagrado, ponto de força e habitat, aonde se costuma depositar oferendas é no alto de uma pedreira ou na cachoeira. Na pedreira, com Iansã, Xangô nos traz o arrojo, a determinação, a fortaleza, a segurança, a firmeza e a sustentação. Na cachoeira, junto com Oxum, nos purifica nos energiza, nos dá vida, vigor, saúde e inteligência.

Neste dia, devemos acender uma vela marrom, oferecendo junto um copo de cerveja escura, “exclusivamente no lar”. Pedindo misericórdia e justiça divina sobre nossas vidas e sobre nosso lar.

Omolu na Umbanda

Não raro, discriminado em muitos Terreiros de Umbanda, Omolú é cultuado como o Orixá residente no cemitério que é o responsável pela triagem dos mortos. Normalmente quando um médium incorpora sua irradiação, tem sua cabeça coberta por um pano em sinal de tradição e respeito, pois o falangeiro geralmente nunca mostra o rosto em razão de suas feridas, algo que é explicado pela sua mitologia. Os Exús que atuam no cemitério lhes devem obediência. A falange mais conhecida é a dos CAVEIRAS, empregados diretos da influência deste Orixá. Anteriormente muito temido atualmente reverenciado na maioria dos Terreiros de Umbanda.

No dia de finados, é fundamental que o Umbandista, ao realizar o culto ao Orixá Omolú, vibre seus pensamentos nos antepassados, seus parentes desencarnados e as pessoas mais caras que partiram, solicitando que ilumine a todos, pois se algum deles estiver precisando de ajuda por estar perdido nas suas questões emocionais e ainda não ter alcançado a luz, pode ser oportuno de acontecer este resgate, e, aquele que já esteja em situações privilegiadas, então se sentirá gratificado pelas vibrações, além de ser o momento de demonstrar gratidão aos antepassados que promoveram a sua passagem presente.

Entendemos que ele é a divindade do “FIM”, logo ele não está presente apenas na tão temida morte física. Sua vibração se faz presente centena de vezes durante nossa vida, por exemplo, o fim de um relacionamento amoroso é o rompimento de cordões emocionais e o fim de um ciclo de convivência entre duas pessoas. Neste momento de finalização lá está presente a sua vibração para encaminhar os envolvidos em seus caminhos individuais.
Assim também nas mudanças de emprego, de moradia, fim de amizade, etc.

Liturgia sobre Ogum

“A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu
nome e em nome de seu Evangelho” – Caboclo Tupinambá.

A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS – CAPÍTULO XIX – A FÉ RELIGIOSA.
CONDIÇÃO DA FÉ INABALÁVEL – EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO

6. Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão.
Levada ao excesso produz o fanatismo. Assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do
progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém
a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

7. Diz-se vulgarmente que a fé não se prescreve, donde resulta alegar muita gente que não lhe cabe a culpa de não ter fé. Sem dúvida, a fé não se prescreve, nem, o
que ainda é mais certo, se impõe. Não; ela se adquire e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários. Falamos das verdades espirituais básicas e não de tal ou qual crença particular. Não é à fé que compete procurá-los; a eles é que cumpre ir-lhe ao encontro e, se a buscarem sinceramente, não deixarão de achá-la.
Tende, pois, como certo que os que dizem: “Nada de melhor desejamos do que crer, mas não o podemos”, apenas de lábios o dizem e não do íntimo, porquanto, ao dizerem
isso, tapam os ouvidos. As provas, no entanto, chovem-lhes ao derredor; por que fogem de observá-las? Da parte de uns, há descaso; da de outros, o temor de serem forçados a mudar de hábitos; da parte da maioria, há o orgulho, negando-se a reconhecer a existência de uma força superior, porque teria de curvar-se diante dela.

Em certas pessoas, a fé parece de algum modo inata; uma centelha basta para desenvolvê-la. Essa facilidade de assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de
anterior progresso. Em outras pessoas, ao contrário, elas dificilmente penetram, sinal não menos evidente de naturezas retardatárias. As primeiras já creram e
compreenderam; trazem, ao renascerem, a intuição do que souberam: estão com a educação feita; as segundas tudo têm de aprender: estão com a educação por fazer. Ela,
entretanto, se fará e, se não ficar concluída nesta existência, ficará em outra.
A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é
a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século, tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. É principalmente contra essa fé que se levanta o incrédulo, e dela é que se pode, com verdade, dizer que não se prescreve. Não admitindo provas, ela deixa no espírito alguma coisa de vago, que dá nascimento à dúvida. A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis porque não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

OGUM NA UMBANDA

Inicialmente devemos perder de vista a ideia preconcebida de que Ogum seja um ser individualizado, personificado na figura de um santo. Ogum não é um ente; é uma vibração divina, um Orixá. Uma das sete vibrações originárias emanada diretamente de Deus. Ogum é a vibração que nos impulsiona à luta, às guerras, é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer as constantes batalhas que travamos em nosso cotidiano. Ele nos move, é a direção para o campo íntimo e verdadeiro, é a força que nos dá a esperança e nos anima para continuar a viver, sobrevivência. É invocação para vencer demandas, desfazer malefícios causados por espíritos de baixo grau evolutivo, para
acender a chama da fé.

No campo dos fenômenos naturais, a vibração Ogum é a que está ligada ao fogo em todas as suas manifestações. No campo da divindade ele está ligado ao elemento da natureza chamado: SER HUMANO. Além disso, Ogum também está ligado aos metais em geral, sendo que o ferro e o aço puro são consagrados à vibração, na conta de metais sagrados. Seu dia 23 de abril se dá ao sincretismo com São Jorge, sua cor é vermelha e na semana ele vibra na TERÇA-FEIRA. Suas principais ervas são: Espada de São Jorge, Romã (folha), Jurubeba, Comigo-Ninguém-Pode, Erva de Bicho, Losna e Cinco Folhas.
Ele é o Orixá Patrono da Umbanda, General de Umbanda, Chefe da Esquerda. Por estar ligado diretamente à essência divina e nós seres humanos, a Linha de Trabalho de
Ogum possui atuação em todas as vibrações originárias, sendo SETE vibrações que podem ser manifestadas na Umbanda tanto por seus Falangeiros, como pelos Caboclos
de Ogum, são elas:

OGUM DE LEI / MATINATA: Trabalha em vibração com Oxalá / Ibeijada;
OGUM BEIRA-MAR: Trabalha em vibração com Iemanjá;
OGUM MALEI / MALÊ: Trabalha em vibração com Xangô / Orientais;
OGUM ROMPE-MATO: Trabalha em vibração com Oxóssi;
OGUM IARA: Trabalha em vibração com Oxum / Iansã;
OGUM MEGÊ: Trabalha em vibração com Omulú / Almas e
OGUM DE RONDA: Trabalha em vibração com Obaluiaê / Exú.

Os Caboclos de Ogum se manifestam de forma bem firme e rápida, marcando muito bem sua presença. Costumam bater uma das mãos no peito e emitir um brado bastante sonoro. Em seus trabalhos aplicam passes de limpeza magnética e de energias revigorantes. Costumam aplicar os passes, portanto Espadas de São Jorge em suas mãos, que utilizam como condensadores e dispersores de energias. Na essência, as Entidades que trabalham nessa linha, assim como acontece em todas as demais, não têm necessariamente de ter tido encarnações como índios, pois “Caboclo” é um arquétipo. O que importa então é a capacidade de trabalho e a sintonia com a vibração da Linha.
Esses são os nomes mais comuns para os Caboclos de Ogum: Caboclo Rompe Mato, Caboclo Beira-Mar, Caboclo Sete Espadas, Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Pena Vermelha, Caboclo Pena Azul, Caboclo Akuan, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Icaraí, Caboclo Tamoio, Caboclo Sete Ondas, Caboclo Águia Solitária, Caboclo Lua Vermelha e Caboclo Lua Azul. Todos atuam em sintonia com o Campo do Humaitá, local de batalhas terrenas e espirituais.

Humaitá é uma palavra de origem indígena que quer dizer “pedra preta” ou “a pedra agora é negra”. Era o nome de uma fortaleza paraguaia, derrubada pelos brasileiros durante a Guerra do Paraguai, em 1868. Grande parte dos combatentes eram escravos negros. Conta-se que muitos haviam substituído os filhos dos seus donos no alistamento para o conflito. Quando retornavam, com o corpo mutilado pela lembrança e pela dor, esses escravos ganhavam a alforria de seus senhores e podiam gozar da liberdade. Esse combate foi muito marcante, tanto que o campo de batalha do Humaitá passou a ser visto como símbolo de vitória, lugar de vencer demandas e desafios. Afinal, aquela guerra não era deles, mas ainda assim eles combateram de peito aberto, sob a proteção de Ogum.

A palavra entrou para os Pontos Cantados de Umbanda e assumiu outro sentido, passou a ser um lugar sagrado, onde mora Ogum, porque havia sido uma terra de penas e de dor, mas também onde se provara a fé daquela gente. O nome indígena do lugar se deve à presença massiva de descendentes de escravos na região. Há vários pontos que fazem referência ao Humaitá, citando que lá Ogum jurou sua bandeira, deu mostras de sua fidelidade e de que nunca nos abandona, exemplo:

Beira-Mar auê, Beira-mar – Beira-Mar auê, Beira-mar.
Ogum já jurou bandeira, nos campos do Humaitá.
Ogum já venceu demanda, vamos todos sarava!
Ê Beira-Mar!

Portanto, Humaitá tem tudo a ver com a Umbanda. É um lugar de nome indígena para onde os negros escravos foram mandados a guerrear. Traz em si a força dos Caboclos e dos Pretos-Velhos. Mas acima de tudo, é uma terra onde reina Ogum, o combatente, o guerreiro, o vitorioso e nós estamos ligados diretamente a este campo de força. O campo do Humaitá está nós, nas nossas batalhas, nas nossas lutas, na nossa fé, na nossa perseverança, por isso OGUM vibra em todos nós.

Ogunhê! Patacuri Ogum!

VEREDA DA LUZ – CASA ESPIRITUAL
28/08/2017
Flávio Ferreira Costa
Diretor de Liturgia

Iemanjá na Umbanda

Este dia dedicamos a Rainha do Mar (ODOIÁ, ODOCIABA), um dos Orixás mais conhecidos do Brasil. Não há filho que não faça sua reverência ao por seus pés no mar. Iemanjá é sincretizada na Umbanda e na nossa casa, de acordo com a ritualística vinda dos terreiros do Estado do Rio de Janeiro com NOSSA SENHORA DA GLÓRIA. Neste dia também se comemora, o dia em que a Virgem Santíssima subiu de corpo e alma, aos céus, por isso é conhecido como o dia da Assunção da Nossa Senhora.

O Orixá Iemanjá sincretiza com diversas representações de Nossa Senhora, por representar a grande mãe, provedora e que acolhe os filhos em seus braços, assim como Nossa Senhora sempre acolheu seu filho, Jesus. Também conhecida como Senhora da Calunga Grande (MAR); Senhora da Coroa Estrelada ou Janaina (do tupi-africano), é a deusa do mar e protetora das mães e das esposas. Muitos filhos fazem confusão do dia em que Mãe Iemanjá é homenageada. Por existir uma regionalização no sincretismo adotado pelos escravos e pela devoção as várias Nossa Senhora (incluindo é claro a Virgem Maria), existem vários festejos a este Orixá no decorrer de um ano.

Em São Paulo, a maior comemoração é no dia 8 de dezembro, na Praia Grande, dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina a comemoração é no dia 2 de fevereiro, onde Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes. As cerimônias são comumente feitas à beira-mar, no litoral gaúcho, mas também ocorrem em rios, como no Rio Guaíba em Porto Alegre- RS. Em Santa Catarina é comemorado anualmente na Praia Central de Balneário Camboriú. No Rio de Janeiro a festa de Iemanjá também é comemorada no dia 29 de dezembro, dois dias antes do ano novo, para evitar um maior congestionamento nas praias e ruas. Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 02 de fevereiro, dia de Nossa Senhora da Candeia, uma das maiores festas do país em homenagem à Rainha do Mar. A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados. Em 08 de dezembro, ocorre a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia. Nesse dia, feriado municipal em Salvador, também é realizado, na praia da Pedra Furada, no bairro do Monte Serrat (também chamado Boa Viagem), a festa do presente de Iemanjá, manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais. Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 08 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá.

Embora sejam representadas de maneiras diferentes, a Assunção da Nossa Senhora, trata-se da mesma festa litúrgica em que a Igreja celebra a glorificação de Maria, quanto assunta ao céu, coroada como Rainha da Glória. Por isso, ela é representada trazendo uma coroa na cabeça, um cetro na mão e nos braços o Menino Jesus. Sua devoção chegou até nós pelos colonos portugueses, que em 1503, construíram em Porto Seguro – BA, a primeira igreja a ela dedicada.

Maria aparece pela última vez nos escritos do Novo Testamento no primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos: ela está no meio dos Apóstolos, em oração, no cenáculo, aguardando a descida do Espírito Santo. A concisão dos textos inspirados opõe-se a abundância das informações sobre Nossa Senhora nos escritos apócrifos, especialmente o Proto-evangelho de Tiago e a Narração de São João, o teólogo, sobre a “DORMITIO” (passagem da Santa Mãe de Deus). O termo Dormitio é o mais antigo que se refere ao desfecho da vida terrena de Maria. O Dormitio de Maria foi decretado como celebração no Oriente no século VII, com um decreto do Imperador Bizantino Maurício. No mesmo século a festa da Dormitio (passagem para outra vida), foi introduzida também em Roma por um Papa oriental, Sérgio I. Mas passou-se um século antes que o termo Dormitio cedesse lugar àquele mais explícito de “ASSUNÇÃO”.

A definição dogmática, pronunciada por Papa Pio XII em 1950, declarando que Maria não precisou aguardar, como as outras criaturas, o fim dos tempos para obter também a ressurreição corpórea, quis pôr em evidência o caráter único da sua santificação pessoal, pois o pecado nunca ofuscou, nem por um instante, o brilho de sua alma. A união definitiva, espiritual e corporal do homem com Cristo glorioso, é a fase final e eterna da redenção. Assim os santos, que já tem a visão beatífica, estão de certo modo aguardando a plenitude final da redenção, que em Maria já havia acontecido com a singular graça da preservação do pecado.

À luz desta doutrina que tem fundamento na Sagrada Escritura, referindo-se ao primeiro anúncio da salvação messiânica dado por Deus aos nossos progenitores após a culpa, apresenta Maria como a nova Eva, intimamente unida com o novo Adão, Jesus. Jesus e Maria estão realmente associados na dor e no amor para expiarem a culpa dos nossos progenitores. Maria é, portanto, não só Mãe do Redentor, mas também sua cooperadora, a ele intimamente unida na luta e na decisiva vitória. Essa íntima união requer que também Maria triunfe, como Jesus, não somente sobre o pecado, mas também sobre a morte, os dois inimigos do gênero humano. Como a redenção de Cristo tema a sua conclusão com a ressurreição do corpo, também a vitória de Maria sobre o pecado, com a Imaculada Conceição, deve ser completa com a vitória sobre a morte mediante a glorificação do corpo, com a Assunção, pois a plenitude da salvação cristã é a participação do corpo na glória celeste.

No Rio de Janeiro, a devoção a Nossa Senhora da Glória surgiu no início do século XVII, alguns anos após a fundação da cidade, no ano de 1608. Mas, as origens históricas remontam a 1671. O ermitão Antonio Caminha, natural do Aveiro, esculpiu a imagem da Virgem em madeira e ergueu uma pequena ermida no Morro do Leripe, onde já existia a gruta, formando-se em torno um círculo de devotos.

Iemanjá é o único Orixá que tem sua imagem própria nos Altares, dispensando o sincretismo como acontece com os demais Orixás: Uma bela Mulher, saindo das águas do Mar, com vestimenta em Azul Claro, com o Colo Nu, espargindo estrelas de ambas as mãos. As suas oferendas, lançadas ao mar, contam de palmas, rosas e flores, principalmente na cor branca, champagne, pente, espelhos, alfazema, pó de arroz, maquiagem em geral. Seu metal e a prata e seu dia é o sábado. Sua saudação é “ODOIÁ ODOCIABA”, que significa “SALVE A SENHORA DAS ÁGUAS”.

Iemanjá e símbolo da personalidade feminina, da beleza e da reprodução. Rege também todas as substâncias que se encontram no fundo dos mares. É, também, na vibração de Iemanjá que atuam as famosas Sereias e as Ondinas, seres elementais da Natureza. Na Linha de Iemanjá (3ª LINHA), apresentam-se todas as IABÁS (orixás femininos), Oxum, Nanã, Iansã, e outras. Iemanjá é a energia geradora, representa a mãe do Universo. Quando incorporadas, as entidades dessa linha gostam de trabalhar com água do mar, expressando-se de forma serena. Fazem uso da mecânica de incorporação emitindo sons que são verdadeiros mantras, que são confundidos por lamentos devido à associação do canto das sereias. Nada impede que médiuns homens trabalhem com essas entidades, pois todos têm o equilíbrio dentro de si.

Da linha de Iemanjá provêem as Caboclas das águas, doce e salgada, cujas falanges descarregam e limpam fluidicamente os terreiros e as pessoas que lá comparecem. As entidades evocam as trabalhadoras da linha de Iemanjá com grande freqüência, principalmente nos descarregos e rezas para renovação e geração.

Em termos de popularidade, Iemanjá é o Orixá de maior destaque no Brasil, sendo festejado tanto na Umbanda e cultos africanos, como suas festas atraem crentes de todas as religiões, como nas oferendas de final de ano nas praias de todo o país (esta sim, sem dúvidas, a maior demonstração popular religiosa nas praias do Brasil), porém este dia a reverência se dá apenas pela passagem do ano e abertura do próximo (geração / renovação).

No arquétipo psicológico, os filhos desse Orixá, expandem-se às características insinuadas pela descrição dos mitos e lendas de Iemanjá. Também fica fácil entender os conceitos principais se mantivermos a comparação com o Orixá Oxum (o que é extremamente comum e que confunde por vezes os próprios filhos, de ambos Orixás). Como os filhos da mãe da água doce, os de Iemanjá, também gostam de luxo, das jóias caras e dos tecidos vistosos. Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo quando pobres, pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, se comparadas com as demais da comunidade de que fazem parte. Enquanto os filhos de Oxum são diplomatas e sinuosos, os de Iemanjá se mostram mais diretos.

A força e a determinação fazem parte de seus caracteres básicos, assim como o sentido da amizade e do companheirismo. Como são pessoas presas ao arquétipo da mãe, a família e os filhos têm grande importância na vida dos filhos de Iemanjá. A relação com eles podem ser carinhosa, mas nunca esquecendo conceitos tradicionais como respeito e principalmente hierarquia. São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da tribo (inconsciente ancestral), e costumam, por isso casar ou associar-se cedo e casar várias vezes se for necessário. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do cotidiano. Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas obcecadas pela própria carreira, sem grandes planos para atividades a longo prazo, a não ser quando se trata do futuro de filhos e entes próximos.

Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida, refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo, indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Mas nem tudo são qualidades em Iemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma tendência a tentar concertar a vida dos que o cercam (o destino de todos estaria sob sua responsabilidade), e são capazes de fazer chantagens emocionais (mas nunca diabólicas). Os filhos de Iemanjá demoram muito para confiar em alguém, bons conhecedores que são da natureza humana. Quando finalmente passam a aceitar uma pessoa no seu verdadeiro e íntimo círculo de amigos, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a, seja nos erros como nos acertos, tendo grande capacidade de perdoar as pequenas falhas humanas. Porém, um filho de Iemanjá pode tornar-se rancoroso, remoendo questões antigas por anos e anos sem esquecê-las jamais.

As características principais dos seus filhos são: sentimento maternal, afabilidade e doçura; apego à hierarquia (gostam muito de ordem, hierarquia e disciplina), retidão e alguma rigidez; determinação, responsabilidade, força e ajudam a todos sem exceção. São ingênuos e calmos até demais, mas quando se enfurecem são como as ondas do mar, que batem sem saber onde vão parar. São vaidosos (mais com os cabelos) e geralmente as filhas de Iemanjá têm dificuldade em ter filhos, pois já são mães de coração de todos.

VIGIAI e ORAI sempre, afim de não termos a nossa mediunidade perturbada e nossas vidas desestruturadas, sem rumo, vagando de casa em casa, a procura de um abrigo qualquer sem saber onde estamos. Vamos levantar a bandeira da Umbanda e derrubarmos os preceitos e preconceitos movidos por paixões mesquinhas. Vamos aproveitar cada momento de nossas vidas para fazer jus a ela e agradecer a ZAMBI DEUS tudo o que ele nos dá. ODOIÁ ODOCIABÁ IEMANJÁ NOSSA MÃE RAINHA DO MAR, AO SEU AMOR IRRADIANDO AS NOSSAS VIDAS, RENOVANDO O NOSSO CORPO, OS NOSSOS SENTIMENTOS E NOSSOS LAÇOS FRATERNAIS COM A HUMANIDADE! E que OXALÁ e os BONS AMIGOS DA ESPIRITUALIDADE nos protejam e nos abençoem.

Que assim seja e que cumpramos a nossa parte.
Flávio Ferreira
Direção Litúrgica.