Festa das Iabas

Festa Iabas 2019

Boa noite!

Tudo bem com você? Olha só o convite que eu tenho para te fazer: AMANHÃ nós vamos festejar na Vereda da Luz Casa Espiritual, a força das Iabas de Iemanjá, as forças da água e do ar, as forças de Iansã e de Oxum, momento de buscar renovação, equilíbrio e movimentação em sua vida, e é claro, se assim você desejar, levar também as suas oferendas para serem arriadas nos assentamentos de nossa Casa

*DIA 4 DE DEZEMBRO – DIA DE NHASÃ (IANSÃ)*

Entrega a ser feita no assentamento da Vereda:
• 1 vela amarela,
• ½ metro de fita amarela,
• 1 garrafa com água mineral sem gás (libação),
• 7 flores amarelas,
• 1 copo amarelo (pode ser de plástico ou pintado),
• 1 pano amarelo para a entrega (30cmx50cm),
• 1 caixa com fósforos e
• 1 pemba amarela.

*DIA 8 DE DEZEMBRO – DIA DE OXUM*

Entrega a ser feita no assentamento da Vereda:
• 1 vela azul,
• 1/2 metro de fita azul,
• 1 garrafa com água mineral sem gás (libação),
• 1 caixa com fósforos,
• 7 rosas brancas,
• 1 copo azul (pode ser pintado ou de plástico),
• 1 pano azul para entrega (30cmx50cm) e
• 1 pemba azul.

*AS OFERENDAS DEVEM SER LEVADAS E ARRIADAS AMANHÃ TÁ (05/12/2019)*

Um grande beijo em seu coração e te esperamos lá.

Flávio Costa – Diretor de Liturgia

Iansã na Umbanda

04/12 – DIA DE IANSÃ – Iansã é um dos orixás mais conhecidos na Umbanda. Em terras africanas ela é conhecida sob o nome de Oiá (a deusa do rio Níger). Ela é um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé.

 No sincretismo católico, Iansã foi associada à figura católica de Santa Bárbara. Santa Bárbara era uma jovem virgem de beleza sem igual, nascida na cidade de Nicomédia, atual Izmit na Turquia. Filha única de um homem rico e nobre chamado Dióscoro. Por ser muito bela e, acima de tudo rica, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum. Com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre, local que passaria a ser sua morada. Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as desfeitas da filha para não se casar, justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade. Durante essa visita ela teve contato com cristãos, que lhe contaram sobre os ideais de Jesus Cristo, não demorando assim a moça a se converter ao cristianismo. Este fato deixou o seu pai furioso, pois ela se recusava a partir de então a seguir a fé dos Deuses do Olimpo. Debaixo de um impulso e obedecendo à sua fé, ele a denunciou ao Prefeito Martiniano que a mandou torturar numa tentativa de fazê-la mudar de ideias, fato é claro que não aconteceu. Assim, Martiniano condenou-a a morte por “degolação”. Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara. Ambas foram levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão.

Bárbara teve os seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a. Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão ribombou pelos ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o céu, fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro. Isso teria acontecido no dia 04 de dezembro da era moderna. Hoje dia dedicado à santa. Depois deste acontecimento, Santa Bárbara passou a ser conhecida como “protetora” contra relâmpagos e tempestades e é considerada a padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo. Ela também é madrinha do Corpo de Bombeiros.

Na Umbanda Iansã (mãe do céu rosado ou mãe do entardecer), costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é ligada diretamente a Xangô, o senhor da justiça e ele não atingiria quem se lembrasse do nome da sua amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e da tempestade quase palpável em sua formação no alto da torre de pedras. Iansã sabe amar e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiante da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera. Ela sempre guarda boa distância dos outros Orixás feminina, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura. Não gosta dos afazeres domésticos e é extremamente sensual, apaixona-se com frequência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões, assim nada nela é medíocre, regular, discreto. Suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, mas se permite a pequenas traições.

 É o Orixá do arrebatamento, da paixão. Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. É irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás). É ela que servirá de guia, ao lado de Omulu e Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É conhecida como a Senhora da Morte. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma, a que faz a colheita. Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual.

É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase estou apaixonado, tem a presença e a regência de Iansã, que é o Orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das consequências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento. Seus falangeiros se apresentam na Umbanda como autênticas guerreiras, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo felizes.

 Seus filhos são conhecidos por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar. Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro. Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura. Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo. Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social. Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo. Costumam ver guerra em tudo, sendo, portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida. Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração, tão ou mais radical ainda que a anterior.

São de Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, a todos, aspectos particulares de sua vida. Os Filhos de Iansã são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas, a longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões. Têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. Se mostram incapazes de perdoar qualquer traição, que não a que ele mesmo faz contra o ser amado. Enfim, seu temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e frequentes, sem reserva nem decência, o que não as (o) impede de continuarem muito ciumentas (o) dos seus companheiros (a), por elas (e) mesmas (o) enganados. Mas quando estão amando verdadeiramente são dedicadas (o) a uma pessoa e são extremamente companheiras (o). Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Iansã ou terão relacionamentos que duraram a eternidade. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados. Se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador. Mas, ao mesmo tempo, costumam serem amigos fiéis para os poucos escolhidos para seu círculo mais íntimo. Ficam extremamente ciumentos com o seu pequeno, porém fiel e verdadeiro círculo de amizade.

Flávio Ferreira
Diretor de Liturgia

Umbanda tem fundamento, mas acima de tudo, tem lógica e é coerente.

Eu não sou bom, tenho ainda vários diabinhos em mim e alguns que insistem em não me deixar rs…Tenho sim, que me reencontrar com algumas pessoas que pelos meus erros eu as afastei, mas também tenho tantas outras que não hipótese, motivo ou razão em aceitá-las de novo ao meu lado na Vereda ou em minha vida.

Posso não entender de tudo na Umbanda, mas o que eu sei, garanto fazer por propriedade e não apenas pela percepção. Ao longo desses anos formei mais de 40 compromissados e centenas em corrente de Umbanda. Para mim UMBANDA TEM FUNDAMENTO, MAS ACIMA DE TUDO, TEM LÓGICA E É COERENTE.

Não há nada melhor e mais gostoso do que fazer a UMBANDA FEIJÃO COM ARROZ, simples, deliciosa e que nenhum brasileiro comum abre a mão de ter em seu prato. Umbanda é coisa séria para gente séria, assim disse o Caboclo Mirim, mas ela também é simples e tão simples para àqueles que só querem extrair o bom fruto dela, como simples é pegar as maiorias das frutas em seu pé, assim eu digo.

Nunca me atrevi a colocar a Vereda da Luz acima da minha base, porque assim eu aprendi com os Guias, mas também nunca a deixei em segundo plano e sempre a tive junto a minha base, tanto nas minhas obrigações espirituais, como com as minhas obrigações financeiras e materiais com a Casa. Daqui a exatos 30 dias, estarei completando duas coroas de compromisso e daqui a 70 dias será a vez da Michele completar as duas coroas dela, olhem bem como eu e ela fazemos a nossa Umbanda, toda vez que vocês ouvirem algo diferente do que praticamos, porque gente para contar histórias da carochinha tem muitos, mas eles só contam para quem tem interesse de ouvir. Continuamos eu e Michele, nesses mais de 15 anos de Vereda a sermos os mesmos que ouvimos e ensinamos o que sabemos, usem-nos a vontade para tirar qualquer dúvida ou para que possamos ensinar algo.

A minha Umbanda não é africana, eu não faço parte de uma religião afro descente, eu não sou ligado a sindicatos e assembléias de Umbanda e Candomblé, até porque Umbanda é Umbanda e Candomblé é Candomblé. Meus Orixás não são negros, minhas Iabas não são negros, meus Orixás não tem cor, não tem raça, não tem sexo, meus Orixás são os dedos de Deus na terra. Meus Orixás são divindades sagradas. A minha Guia não precisa de uma conta ou um fio específico, minhas Guias são iguais. O charuto do Caboclo pode ser reutilizado quantas GIRAS forem necessária, assim como a pemba, como o marafo. O Caboclo não tem coca visível, mas tem um coca espiritual. O Preto-Velho ainda não tem um chapéu visível, mas um dia ele terá, a criança como brigadeiro sim, toma guaraná porque é a água gasosa que ele conheceu, mas também toma suco de frutas, toma água. Quem disse que Boiadeiro tem que beber? Quem disse que o café hoje da Preta-Velha, não pode ser um delicioso vinho em dia de festividade? Quem disse que o Caboclo e o Preto-Velho tem que fumar? Quem disse que Caboclo não pode sorrir e que também não pode chorar?

Quem disse que os Guias não podem errar? Quem disse que os Guias podem mais que Oxalá? Que tudo posso com meu Orixá?

Quem disse que não sou luz, mas assim como ela acende, ela também pode apagar.

Eu sou o FLÁVIO e definitivamente não sou o Caboclo Tupinambá. Tenho muito orgulho, satisfação, felicidade, realização em tê-los (os Guias), ao meu lado, mas eu não sou eles, na verdade, cada um deles é que formam um pedaço de mim.

Eu sou de Umbanda porque nela eu sou feliz e ela me completa, além disso e tentar ser alguém através dela, MELHOR!

Que eu ainda possa olhar onde Oxalá olhe por mim, que eu possa andar onde Oxalá ande por mim, que eu possa tocar onde Oxalá toque por mim, que eu posso ouvir onde Oxalá ouça por mim, que eu possa sentir onde Oxalá sinta por mim, que eu possa irradiar onde Oxalá irradie por mim, que eu possa viver onde Oxalá viva por mim.

Flávio Ferreira
Diretor Liturgico

Dia 26 de julho, dia de Nanã Buruquê

26/07 – DIA DE NANÃ BURUQUÊ – Mulher nazarena que apesar de não ser mencionada nos Evangelhos, pela tradição da Igreja Católica seria a mãe da Virgem Maria e, portanto, avó materna de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, era filha de Natã, sacerdote Belemita, e de Maria, e foi a mais jovem de três irmãs bíblicas. Suas outras irmãs mais velhas seriam Maria de Cleofas, mãe de Salomé, e Sobé, mãe de Santa Isabel, que geraria São João Batista. Casou-se com São Joaquim e por muitos anos permaneceu estéril, só dando à luz a Maria em idade avançada.

Teria morrido pouco depois de apresentar Maria no Templo, consagrando-a a Deus, quando a filha contava apenas três anos de idade. Seu culto difundiu-se no Oriente, e no século VI o Imperador Justiniano mandou erguer-lhe um Templo em Constantinopla. Nos séculos seguintes a veneração expandiu-se também pela Europa. Em uma bula (1584) o papa Gregório XIII instituiu que sua festa seria comemorada no dia 26 de julho, mês que passou a ser denominado mês de Sant’Ana.

Venerada como padroeira das mulheres casadas, especialmente das grávidas, cujos partos torna rápidos e bem-sucedidos, é também protetora das viúvas. Foi sincretizada na Umbanda pelo o Orixá mais antiga, a mais temida de todos e a mais respeitada. Ela tem o poder de dar a vida e forma aos seres humanos, por isso é também considerada orixá da fecundação e dos primórdios da criação. Ela é a deusa dos pântanos e da morte (associada à terra, para onde somos levados).

Nanã está presente nos lodaçais, lamaçais, pois nasceu do contato da água com a terra, formando a lama, dando origem a sua própria vida. Ela é a chuva, a garoa, o banho de chuva é uma lavagem do corpo na sua essência, uma limpeza de grande força. Nanã é a mãe de Obaluaiê e Omulu, conhecidos como o elo negativo e o positivo, um cuidando das enfermidades da alma e o outro das enfermidades físicas.

Tratou sempre de si e de seus filhos de forma nobre, nunca se metendo ou preocupando com o que as outras pessoas faziam da própria vida. Certa vez, Ogum travou batalha com Nanã pelo direito de passar por suas terras. Por ser um forte e valente guerreiro, não admitia em pedir licença a uma “velha” para entrar em seus domínios. Diante dos perigos do pântano e da ira de Nanã, foi obrigado a bater em retirada tendo que achar outro caminho, longe das terras dela. Ela por sua vez, aboliu o uso de metais em suas terras (por este ser ferramenta de Ogum). E até hoje, nada pode ser feito com lâmina de metal para ela.

“SALUBA NANÃ A SUA SABEDORIA, SALUBA NANÃ A MINHA EVOLUÇÃO”, é isto que pedimos a Nanã. Sempre que possível, lembrar-se que aos sábados devemos cumprir jejum em fortalecimento ao espírito e em busca de equilíbrio entre o psíquico, o espiritual e o material. Neste dia 26 acenda uma vela para Nanã junto com um copo d’água, solicitando bons fluidos e equilíbrio de energias para o seu lar.

Coração de Pombagira

Em meados dos anos 30, existiu uma mulher infeliz, de beleza exuberante e inteligência rara, Elisa se achava uma mulher sem sorte. Todos que a cercavam, todos a quem amava pareciam sofrer com ela. “Uma maldição pensava ela”.
Casada, mas num casamento infeliz e sem se sentir realizada. Embora Marcos seu marido, a amasse e desejava-a, mesmo só possuindo-a uma vez na primeira noite, só alcançava a ereção desde este momento com outras mulheres, apesar de seu tremendo desejo por Elisa.

No começo, nem tudo era sofrimento. Imaginavam que o problema de Marcos era causado devido às preocupações do trabalho. Marcos era parlamentar de grande influencia no Estado da Guanabara, homem de família rica e tradicional, porém apenas um jovem em amadurecimento. O tempo passava e como não encontrava solução, Marcos passou a freqüentar
os cabarés da cidade por influencia de sua fraqueza e pelo seu ciclo de amizades. Com o tempo passou a se enterrar de vez nos cabarés. Ia chorar sua desventura no colo das meretrizes.

Logo Elisa viu que o marido passou a se servir de meretrizes na obscuridade, o que a atormentava dolorosamente. Ela sofria pelas dores do marido e por não saber o quê fazer, enquanto ele a acusava de rejeitá-lo e por vezes batia nela, extravasando a sua fraqueza.

Daquela única vez com sua mulher nasceu Vitória. A menina cresceu bonita e saudável até os sete anos. Depois começou a definhar. “É a maldição!” Elisa se culpava. A partir de então todas as especialidades médicas foram consultadas, todas as promessas foram pagas, todas as rezas foram rezadas. Consultados médiuns e videntes, cartomantes e benzedeiras, padres, pastores, profetas e nada. Enquanto isso a saúde da menina e a vida de casada decaía dia a dia sem nenhuma explicação.
Até que Elisa levada pelo desespero e com suas forças minando, encheu-se de coragem e foi procurar um Centro de Umbanda no centro da cidade. Centro este que conheceu através de conversas com as amigas nas rodas sociais, quando uma delas disse ter encontrado o elixir da vida nas mãos de uma Pombagira, ajudando-a na recuperação de seu casamento, que até aquele momento sofria tamanho desequilíbrio. Chegando ao terreiro, foi atendida por Mãe Maria, que logo lhe falou: “Minha filha, você nasceu com a beleza de Oxum e a majestade de Xangô, mas seu coração é de Pombagira”.

Mãe Maria continuou a falar sem que Elisa tivesse a oportunidade de se manifestar, tamanha a clareza de sua situação que era narrada por Mãe Maria, a qual nunca tinha visto. “A sua vida recatada, seu senso de pudor, sua modéstia, a repressão de costumes que você mesma se impunha, a falta de interesse pelo sexo, tudo isso negava os sentimentos de seu coração, contrariava sua natureza. A cura, a redenção dela e dos seus, tinha uma só receita: libertar seu coração, deixar sua Pombagira viver”. Foi à sentença da Mãe Maria.

Ali mesmo, naquele dia e hora, sem saber como nem por que, Elisa foi tomada por fortes vibrações e energias que percorriam toda a sua matéria, toda a sua alma. Sem perceber deixou-se possuir por três homens, que no terreiro tocavam os atabaques. O prazer foi imenso, nunca havia sentido nada igual: leve e livre pela primeira vez na vida. Quando a consciência tomou conta dela novamente, lembrou-se da filha. Voltou correndo para casa e como encanto, encontrou a menina melhor… muito melhor. Corria sorridente, pedia comida, queria brincar, com tal energia que Elisa não se lembrava da última vez que tinha visto a menina assim.

No dia seguinte, Elisa não suportava os sentimentos que conflitavam em seu intimo. Uma mistura de alegria com medo, de realização com vergonha e claro de extrema curiosidade para entender o que aconteceu e o que aconteceria desde momento em diante. Na semana seguinte voltou ao terreiro, e surpreendentemente pra ela Mãe Maria já a aguardava. “Sabia que voltaria, seu caminho é longo ainda minha filha. Se perdendo você irá se encontrar”. Depois a abençoou, a abençôo e se despediu.

Um dos homens com quem se deitara na semana anterior, tomado por grande encantamento e desejos que lhe percorriam o corpo desde o acontecido, lhe deu um endereço, também no centro da cidade, de um cabaré. Disse-lhe que iria lhe aguardar daquele momento em diante nas tardes que estariam por vir naquele local de meretrício, e que Elisa iria se sentir realizada e cada vez melhor por estar lá.

Enquanto Elisa voltava para casa mais feliz e esperançosa, com a sua filha melhorando a olhos vistos. Percorria em seus pensamentos o enorme desejo de estar naquele cabaré que o homem havia lhe falado. Logo não resistiu aos seus impulsos, até que a vontade e o desejo falaram mais altos e Elisa começou a freqüentar o cabaré. Passava as tardes lá, enquanto o marido trabalhava. Para preservar a honra do marido e de sua família, Elisa se vestia de cigana, cobrindo o rosto com um véu. Além é claro de o mistério tornar tudo mais excitante.

Rapidamente a sua fama se vez. A clientela crescia e todos queriam ter com aquela meretriz que não aceitava os homens, se estes não viessem acompanhados de presentes e agrados de fino trato. Mesmo agora meretriz nas tardes daquele cabaré, preservava em si os bons hábitos do que usava, do que bebia, do que fumava, oriundo das altas rodas sociais que freqüentava com o marido.
“Vocês já conhecem a nova meretriz da cidade que todos chamam de Cigana e que não aceita homens de forma alguma, a não ser que os mesmo lhe ofereçam champagne, é isso mesmo, champagne, bons perfumes e boas jóias” diziam os freqüentadores da alta roda e assim Marcos soube da nova prostituta e quis experimentar. Até que um dia foi até o cabaré do centro e com as mãos recheadas de jóias, levou a Cigana pra cama. O prazer foi surpreendente, muito maior do que sentira com Elisa e que nunca fora superado com outra mulher. A partir daí seria escravo da Cigana se ela assim o desejasse. Mas a Cigana nunca mais quis recebê-lo.

Cercada de decepção e com revolta por ter seu marido em um cabaré e não em seu casamento. Por tamanha angustia ao ponto de tê-la feito se tornar meretriz e como se ainda não bastasse agora à vida ainda lhe reservou um novo infortuno de ter passado à tarde com aquele a quem amava, porém ele estando à procura de outra. Ela fugiu de casa para morar de vez no cabaré. Sem se importar com mais nada, desprezando até os cuidados com a própria filha a qual tanto amava.

Mas Marcos voltou, e por vezes voltou e voltava cada vez mais cercado de desejos e de presentes a ela. A insistência dele foi inútil. “Um dia te mato na porta do cabaré”, ele a ameaçou, ressentido e enciumado, enquanto ela se mantinha irredutível. Mas num entardecer de inverno, ele esperou pela Cigana na porta do cabaré, sendo rejeitado novamente. Movido pela ira e pela rejeição que havia acabado de passar mais uma vez, lhe deu sete facadas. Assustado, olhou o corpo ensangüentado da morta estirado no chão e reconheceu, no piscar do néon do cabaré, o rosto desvelado de Elisa. Um enfarto nessa hora o matou ali mesmo.

Longe dali, no Terreiro de Umbanda da Mãe Maria, o ritmo dos tambores era
arrebatador. Os médiuns giravam na roda, esperando a incorporação de suas entidades. Na gira de Quimbanda, Exus e Pombagiras eram chamados. Os assistidos, que lotavam a platéia, esperavam sua vez de falar de seus problemas e resolver suas causas. As entidades foram chegando, e o ambiente se encheu de gargalhadas e gestos obscenos. O ar cheirava a suor, perfume barato, fumaça de tabaco, cachaça e cerveja. A força invisível da magia ia se tornando mais espessa, quase podia ser tocada.
Cada entidade manifestada através da incorporação se identificava cantando seu ponto. De repente, uma médium iniciante, e que nunca entrara em transe, incorporou uma Pombagira. Com atrevimento ela se aproximou dos atabaques e cantou o seu ponto, que até então ninguém ali ouvira:
“Você disse que me matava – Na porta do cabaré – Me deu sete facadas – Mas nenhuma me acertou”…
“Sou Pombagira Cigana – Aquela que você amou – Cigana das Sete Facadas – Aquela que te amou”.

Mãe Maria correu para receber a Pombagira, abraçou-a e lhe ofereceu uma taça de champagne. “Seja bem-vinda, minha senhora. Seu coração foi libertado”, disse-a ao mesmo tempo em que se curvava para cumprimentá-la. Pombagira Cigana das Sete Facadas retribuiu o cumprimento e, gargalhando, se pôs a dançar no Terreiro. Pombagira é um Exu feminino. Apela-se especificamente para a solução de problemas relacionados a fracassos e desejos da vida amorosa e da sexualidade. Pombagira é grande protetora das mulheres e também propicia qualquer tipo de união amorosa ou erótica.

Na concepção Umbandista elas norteiam dezenas de espíritos de homens e mulheres que em vida tiveram uma biografia socialmente marginal. O culto dessas entidades é reunido em rituais de Quimbanda dentro da Umbanda, com aspectos voltados diretamente a vida terrena.

Este culto dá acesso às dimensões mais próximas do mundo da natureza, dos instintos, das pulsações sexuais, das aspirações e desejos inconfessos. Revela este lado “menos nobre” da concepção de mundo e de agir no mundo.
A Umbanda aceita o mundo como ele é e ensina que cada um deve lutar para realizar seus desejos. Por isso a Umbanda é vista com freqüência como libertadora. Não se crê no pecado, nem em premiação ou punição após a morte. A vida é boa e deve ser levada com prazer e alegria. Nessa busca da realização dos anseios humanos mais íntimos, Exus e Pombagiras reforçam sem dúvidas uma importante valorização da intimidade, “às vezes obscura”, de cada um de nós, pois para os Exus e Pombagiras não há desejo ilegítimo, nem aspirações inalcançável e nem fantasias reprováveis. Embora nem todos os desejos, aspirações e fantasias, sejam trabalhados nessa linha, dependendo do grau de evolução das entidades e da doutrinação do terreiro a qual elas trabalham.

Flávio Ferreira
Direção Liturgia

Por Que Tomar Banho Com 7 Pedras De Sal Grosso? Qual Explicação Dos Sete?

Tudo na Umbanda gira em torno da cabalística do sete. Deus fez o mundo em sete dias, temos sete dias na semana, sete cores do espectro solar, sete arcanjos, o sete vezes setenta e sete – referência do Mestre Jesus ao perdão, sete Linhas de atuação, sete ordens celestiais, sete ervas de cada Orixá, sete noites de cada fase da lua e assim vai.
Todos os banhos direcionados com sal grosso envolvem também o sete, sete pedras ou sete punhados. O sal é condensador de energia natural, além de ser um forte combustor, sendo utilizado desde os primórdios da humanidade como fonte de riqueza natural. Na Umbanda, ele se torna um excelente canalizador e descentralizador de energias, servindo tanto para magnetizar, como para desmanchar, assim, os Guias utilizam este fabuloso elemento para descarregar as energias negativas ao nosso redor, como também usam para intensificar o nosso magnetismo positivo.

Flávio Ferreira
Diretor de Liturgia