“Filia-te nas hostes da caridade e usa o potencial de luz que se deposita em tuas mãos de modo a produzir o maior efeito possivel, a fim de beneficiar o máximo de necessitados. Assim procedendo, estarás firmemente a construir para ti um futuro harmonioso e promissor. Aproveita a oportunidade do trabalho que se abre diante de ti. E hora da
semeadura. A colheita será farta.

“O Passe Espirita por Luiz Carlos de M. Gurgel (página 158).

1. INTRODUÇÃO

A palavra “J IRA” (ou “gira”, corruptela de enjira) tem origem na língua Banta dos Ambundos, povo africano da região da Angola. O novo dicionário Aurélio de língua portuguesa (Novo Aurélio Século XXI; 3ª ed.; 1999), assim define a (en)jira: “Em
terreiros de Umbanda, ou influenciados pelo rito angola-congo, cerimônia onde se canta e dança, geralmente em círculo, em homenagem às entidades da casa”. Sabemos que, além disso, a gira representa uma forma de trabalho para a caridade, sob
responsabilidade dos espíritos de luz que se apresentam. Este estudo não vai, necessariamente explicar o significado da gira de desenvolvimento na Umbanda, mas, o seu significado especifico ao nosso caso, ou seja, a maneira como nosso grupo deve entender e realizar a gira de desenvolvimento conforme vivenciamos a Umbanda em nosso centro.

2. A DINÂMICA DO TRABALHO

A gira de desenvolvimento, sendo uma forma de trabalho na Umbanda, sofre uma grande influência da origem dos médiuns e da cúpula espiritual responsáveis pelo terreiro. Não podemos dizer que existe um ritual mais “correto” do que outro. O
exercício da caridade e do amor deve ser buscado da melhor forma possível, sendo esta a meta mais importante em um centro. A forma que este exercício é feito possui importância secundária.

É difícil trabalhar conscientemente para o amor quando não compreendemos a forma de trabalho que nos propomos a realizar, ou quando nos concentramos mais na forma do que no sentido e essência do trabalho. Entender o objetivo do trabalho e
utilizar o ritual dele para atingir este, é sem dúvidas, a forma mais eficiente de trabalharmos para a nossa busca maior: servir ao Amor Universal, vivencia-lo, sê-lo.

Durante a gira,, a maioria das pessoas sente energias muito grandes, que as envolvem e podem causar efeitos fisicos evidentes, que vão desde a respiração e batimento cardíaco acelerados até o descontrole parcial de todos os movimentos do
corpo. Estes fenômenos são normais e por serem de origem espiritual, são facilmente (mas de forma equivocada) interpretados como sinais de desenvolvimento mediúnico.

Em parte por causa desta confusão, é comum ouvir-se que, na Umbanda, o desenvolvimento mediúnico ocorre mais rapidamente do que no Espiritismo. Precisamos entender que existem diferenças muito grandes entre sentir uma influência
de energia espiritual, desenvolver faculdades mediúnicas e saber servir ao Amor Universal, que é o propósito elevado.

Vejamos um exemplo: uma pessoa busca um terreiro de Umbanda e através de contatos com os guias ou com outros trabalhadores da casa, e encaminhada pelo guia responsável pelos trabalhos, a participar do desenvolvimento. Isto significa que essa pessoa começará, necessariamente, a desenvolver a sua mediunidade? Será que um “canal de comunicação com os espíritos” será aberto sem o entendimento, controle e consentimento desta pessoa? Para ambas as perguntas a resposta é certamente, “Não”.

Se a gira de desenvolvimento funcionasse desta forma, representaria uma agressão ao Livre Arbítrio e à Lei da Liberdade das pessoas. Seria uma forma irresponsável de lidar com a mediunidade, instrumento de potenciais tão lindos quanto importantes e
delicados.

3. O LIVRE ARBÍTRIO E A LEI DA LIBERDADE

A Umbanda fundamentada no Amor Universal e na prática da caridade segundo princípios cristãos, não poderia ser usada para desenvolver a mediunidade de todos os participantes, pois tal ação constituiria um desrespeito à Lei da Liberdade, parte
essencial da Lei Divina. E por isso que concluímos que na gira de desenvolvimento, através de espíritos de luz e trabalhadores responsáveis e conscientes, não são todas as pessoas que participam dela.

Vejamos o auxílio que encontramos no O LIVRO DOS ESPÍRITOS referente às questões sobre o Livre Arbítrio e a Lei da Liberdade:

Pergunta 825 – Há posições no mundo em que o homem possa se vangloriar de gozar de uma liberdade absoluta?
Não, porque todos necessitam uns dos outros, os grandes como os pequenos.

Pergunta 826 – Qual seria a condição na qual o homem poderia gozar de uma liberdade absoluta?
O EREMITA no deserto. Desde que haja dois homens juntos, eles têm direitos a respeitar e não têm mais, por conseguinte, liberdade absoluta.

Pergunta 829 – Há homens que sejam, por natureza, destinados a serem de propriedade de outros homens?
Toda sujeição absoluta de um homem a outro homem é contrária à lei de Deus. A escravidão é um abuso da força e desaparecerá com o progresso, como desaparecerão, pouco a pouco, todos os abusos. A lei humana que consagra a
escravidão é uma lei antinatural, visto que assemelha o homem ao animal e o degrada moral e fisicamente.

Pergunta 833 – Há no homem alguma coisa que escapa a todo constrangimento e pela qual ele desfruta de uma liberdade absoluta?
É no pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque não conhece entraves. Pode-se deter-lhe o vôo, mas não aniquila-lo.

Pergunta 834 – O homem é responsável pelo seu pensamento?
Ele é responsável diante de Deus. Só Deus, podendo conhecê-lo, o condena ou o absorve segundo sua justiça.

Pergunta 838 – Toda crença é respeitável mesmo que seja notoriamente falsa?
Toda crença é respeitável quando e’ sincera e conduz à prática do bem. As crenças repreensíveis são as que conduzem ao mal.

Pergunta 839 – É repreensível escandalizar na sua crença aquele que não pensa como nós?
É faltar com a caridade e golpear a liberdade de pensar.

Pergunta 850 – A posição social, algumas vezes, não é um obstáculo à inteira liberdade dos atos?
O mundo tem, sem dúvida, suas exigências. Deus é justo e leva tudo em conta, mas vos deixa a responsabilidade do pouco esforço que fazeis para superar os obstáculos.

4. O PROPÓSITO

A gira serve para Vários propósitos: trazer à pessoa um contato direto com energias harmonizantes, aplicadas a ela pela equipe espiritual. Este contato lhe proporcionará uma reestruturação energética através de seus centros vitais, em
mecanismo semelhante ao de um passe. O passe e “um procedimento fluídico-magnético, que tem como principal objetivo auxiliar a restauração do equilíbrio orgânico do paciente”, ou seja, a restauração do equilíbrio de seu corpo físico, perispírito e espírito. Proporciona também o contato com energias espirituais com efeitos benéficos a qualquer espírito em necessidade, que esteja ligado por qualquer motivo que seja à pessoa participante da gira. Por esse motivo, é comum que as entidades trabalhadoras peçam para nos concentrarmos em certas entidades e em certos lugares. O despertar em todos, sobre questões e interesses relacionados à realidade espiritual, cria um caminho de auto-conhecimento e reforma íntima, caminho este que será levado em todos os momentos na vida de cada um.

Do ponto de vista fluídico, o desenvolvimento mediúnico ocorre através de uma abertura psíquica do médium. Essa abertura psíquica facilita um contato mais intenso entre o médium e seus guias. Esta oportunidade de contato representa um treino precioso no processo de afinização entre o médium e o guia, pois trabalharão em atendimento às pessoas que procuram o centro em busca de ajuda, consolo e assuntos diversos.

Maior importância deve ser dada e claro, ao desenvolvimento moral e intelectual do médium. É em longo prazo que a gira de desenvolvimento garante um apoio maior ao desenvolvimento mediúnico, só assim, podemos perceber a diferença entre desenvolver faculdades mediúnicas e praticar a mediunidade responsável.

O simples fato de sentirmos ao “girar”, uma energia que nos envolve e surpreende, leva a constatação de que realmente existe algo além de nossos cinco sentidos responsável por isso. Ao sentir em nossos corpos tais efeitos, temos certeza de que eles não são frutos de ilusões coletivas, induções de nosso subconsciente, ou simples charlatanismo. O estudo e a observação cautelosa ao longo do tempo e o bom-senso nos levam à certeza de que esta energia provém de individualidades inteligentes que, de fato, podem usar nossos corpos fisicos para se comunicarem, bem como os efeitos físicos que a acompanham, não são totalmente controlados por nós.

5. A INCORPORAÇÃO

É importante entender que, a mediunidade não é uma graça que concedemos, e sim, uma oportunidade que recebemos. Os nossos mentores não precisam de nós para trabalhar na caridade, mas, eles nos concedem à oportunidade de ajudá-los e isso
representa, para nós, uma enorme caridade da parte deles, pois é através dessa oportunidade de ajudar que podemos encontrar a direção para o caminho da luz e para o encontro com o Divino Criador.

O processo de incorporação entre a entidade e o médium se dá através do perispírito do médium, o que chamamos de “ACAVALAMENTO”, isto é, o perispírito do médium conduz a entidade que se comunicará e realizará seus trabalhos através dele. Em extremas exceções ocorre o fenômeno do “ENCAMISAMENTO”, quando a entidade toma para si, todas as faculdades físicas e psíquicas do médium.

O trabalho relacionado a gira de desenvolvimento começa a ser preparado muito antes do dia da gira e é definida com antecedência a maneira através da qual cada linha de espíritos (caboclos, preto-velhos, crianças, boiadeiros, exús, etc…) participará dos trabalhos. Para evitar desgaste físico excessivo por parte dos médiuns, é recomendado o máximo de duas linhas para girarem em cada médium; isso não significa, no entanto, que todos os médiuns serão “girados” com duas linhas. O fato de uma linha de espíritos não estar trabalhando na terra (incorporada), não significa, naturalmente, que ela não esteja trabalhando no plano espiritual.

O LIVRO DOS MÉDIUNS nos alerta sobre os inconvenientes e perigos da mediunidade:

Pergunta 221, 2ª – O exercício da faculdade mediúnica pode ocasionar a fadiga?
O exercício muito prolongado de toda e qualquer faculdade pode conduzir à fadiga; a mediunidade está no mesmo caso, principalmente a que se aplica aos efeitos físicos; ocasiona, necessariamente, um dispêndio de fluido que conduz à fadiga, e se repara pelo repouso.

6. A RITUALÍSTICA

Aproveitamos a gira de desenvolvimento também, para saudar os Orixás, bem como homenagear e reconhecer o trabalho e carinho de nossos guias. Essas saudações não precisam ser necessariamente, nos mesmos dias que cultuamos os Orixás na Umbanda. O ritual da saudação, da homenagem e do reconhecimento, como todos os outros rituais, e simplesmente um SÍMBOLO, o que está em nossos corações e a reforma intima que cada um recebe, e o que para eles realmente interessam.

7. A PREPARAÇÃO

Desde o nosso despertar, estamos acompanhados de nossos guias, que nos preparam para o trabalho. Para nos assegurar que estaremos prontos para realiza-lo da melhor forma possível, é essencial o bom-senso, pois temos responsabilidades relacionadas ao bem-estar físico (saúde, sexo e alimentação) e ao bem-estar mental (atmosfera fluídica), porém, o desejo sincero de ajudar é a única condição realmente indispensável para participar de uma gira de desenvolvimento. Disciplina, esforço pessoal, estudo, são frutos naturais da verdadeira boa-vontade.

a) Condição Física: Certos cuidados merecem atenção, eles podem determinar o quanto seremos úteis e o quanto conseguiremos absorver durante a gira de desenvolvimento. Isso se deve porque o nosso perispírito está intimamente ligado ao nosso corpo físico, assim, tudo que afeta o nosso “corpo fisico” também afeta o nosso “corpo espiritual”. O perispírito é “uma espécie de “corpo material do espírito e é nele que se acumulam os registros de todas as ocorrências em que se envolve o indivíduo durante sua longa jornada evolutiva. O perispírito desempenha papel fundamental na manutenção da integridade do corpo físico e da própria individualidade do ser”.

A aplicação de fluidos magnéticos é relativamente forte nas giras de desenvolvimento, o que torna não recomendada a membros que estiverem com a saúde muito debilitada. O mesmo ocorre para mulheres grávidas ou que se encontre em ciclo
menstrual (obviamente não são problemas e muito menos ““doenças”), nestas situações, a mulher encontra-se em período de intensa atividade hormonal, que por isso, são momentos de delicado reajuste energético em seus corpos, podendo vir a trazer
complicações a este período de reajuste, refletindo na sua saúde orgânica. No caso de menstruação e doenças, pode haver exceções, as quais serão determinadas pelos guias de cada pessoa e/ou do terreiro.

Os médiuns são fontes de fluidos usados em trabalho de caridade, assim, o equilíbrio do médium é um pré-requisito para qualquer trabalho em nome do Amor Universal. Existem duas formas de atividades sexuais que podem prejudicar o estado de
equilíbrio necessário para doação de fluidos. Primeiramente o uso do sexo simplesmente por satisfação fisica (que inclui também o caso da masturbação). Todo indivíduo é o reflexo dos padrões mentais que possui e enquanto médiuns, não podem
doar o que não tem, ou o que não são. Como sabemos, somos aquilo que pensamos, pois o pensamento é a fonte primordial de nossos atos, comportamentos, personalidade e finalmente, de nosso caráter. Dessa forma, o apostolado mediúnico voltado ao serviço do Plano Maior nunca será compatível com padrões mentais e comportamentais que exaltem e promovam paixões de natureza puramente material. Esses padrões, refletidos na maneira em que vivemos, limitam o ser humano no seu caminho evolutivo por prendê-los à sua transitoriedade material ao invés de auxiliá-los na transcendência da mesma.

A atividade sexual fundamentada no amor puro é fonte de harmonia e saúde, mesmo assim, nossos guias nos pedem que não tenhamos relações sexuais pelo menos nas 24 horas que antecedem trabalhos mediúnicos. Qual a razão desse pedido? Se as
relações sexuais responsáveis são compatíveis com uma vida equilibrada, por que evitá-las antes dos trabalhos? A explicação para isso nos é dada por nossos guias, conforme informação também dada pelo Espírito André Luiz, e refere-se à função da
GLÂNDULA PINEAL (também chamada EPÍFISE), localizada na base do cérebro, está ligada à geração de energia psíquica, ativa durante a doação Íluídica através da mediunidade e também está ligada com a atividade sexual, no plano psíquico. Assim, a atividade sexual, mesmo que responsável, causa desgaste de energias psíquicas que são usadas durante o trabalho mediúnico. Essas energias são naturalmente repostas ao organismo em um intervalo médio de 24 a 36 horas, dentro deste intervalo de recuperação energética do organismo, a capacidade para o serviço assistencial irá apresentar-se um pouco diminuída, contudo, de forma alguma tal atividade será inviabilizada. A inviabilidade, como já vimos, irá ocorrer toda vez que nos deixarmos conduzir a situações de desequilíbrio, ligadas ou não ao “sexo”.

A quantidade do que comemos também é importante, porque refeições pesadas causam uma sobrecarga em nossos aparelhos digestivo e excretor, desviando para o nosso próprio organismo energias que poderiam estar sendo conduzidas para geração de fluidos de doação. Essa carga incorpora-se em nosso corpo espiritual e influi naturalmente, na energia que irradiamos. Alimentos que possuem fluidos pesados, tóxicos e/ou de difícil digestão devem ser evitados. Por isso, bebidas alcoólicas e carnes (especialmente mal passada e de mamíferos) não devem ser ingeridas antes da gira de desenvolvimento. Chocolate, café e fumo são outros consumos a serem evitados ou ingeridos em baixas quantidades, por serem provocadores de reações no sistema nervoso central, estimulando a sua atividade. A ingestão de alimentos que exigem bastante do sistema digestivo, como o feijão, por exemplo, também deve ser moderada ou evitada, se possível.

Nossos guias nos aconselham a cuidar de nossas vestimentas, não trabalhar com calças tipo legue ou corsário e não usar peças íntimas que chamem a atenção (fio-dental ou peças coloridas), também não usar roupas transparentes. Não usar jóias ou adereços (relógios, pulseiras, brincos, piercing, salvo peças de ouro branco), por serem confeccionados por materiais redentores de energias. Não usar maquiagens pesadas e perfumes fortes (daí o sentindo de todos usarmos branco, para que não haja a vaidade ou a luxúria entre nós. Perfumes preferenciais são alfazema ou patcholi). Eles também nos pedem que tomemos um “banho de descarga” anterior e posterior ao trabalho (com uso de sal grosso ou com “Sabão da Costa”, ou alguma erva indicada pelos guias ou dirigentes).

b) Condição Mental: Ao iniciar o nosso dia, concentrar nossos pensamentos em assuntos elevados, através de uma oração ou uma leitura bem escolhida. Devemos reafirmar os nossos propósitos e receber o que precisamos para segui-los. Além disso,
nós estabelecemos o padrão vibratório que queremos manter para sermos mais úteis no serviço mediúnico, fazendo a nossa parte para que a corrente de amor seja forte e dê bons frutos. A força da corrente gerada depende da força de cada um de seus elos. O exercício da caridade e a vigilância, além da prece, são algumas das ferramentas que possuímos ao nosso alcance para atingir o padrão vibratório elevado e equilibrado.

O EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO, nos auxilia sobre os mecanismos e beneficios da oração no capítulo 17 “PEDI E OBTEREIS”. Segue exemplo de prece para os médiuns:

“Deus onipotente, permite que os bons Espíritos me assistam na comunicação que solicito. Preserva-me da presunção de me julgar resguardado dos Espíritos maus; do orgulho que me induza em erro sobre o valor do que obtenha; de todo sentimento oposto a caridade para com outros médiuns. Se cair em erro, inspira a alguém a idéia de me advertir disso e a mim a humildade que me faça aceitar reconhecido a crítica e tomar como endereçados a mim mesmo, e não aos outros, os conselhos que os bons Espíritos me queiram ditar. Se for tentado a cometer abuso, no que quer que seja, ou a me envaidecer da faculdade que te aprouve conceder-me, peço que me retires, de preferência a consentires seja ela desviada do seu objetivo providencial, que é o bem de todos e o meu próprio avanço moral.

8. A GÍRA

Como enfatizamos anteriormente, a maneira através da qual a gira deve proceder foi planejada com antecedência e de forma cuidadosa por espíritos de luz responsáveis por nossos trabalhos. No centro, o chefe do terreiro é o mentor que determina a conduta e a organização a serem seguidas durante a gira. Parte da execução desse planejamento é responsabilidade do médium dirigente dos trabalhos, que ocupa uma posição que pode ser entendida como a de um representante encarnado de nossos guias. Ele é responsável principalmente por certas decisões de caráter disciplinar e organizacional, como por exemplo, a determinação do horário no quais os trabalhos terão início e de vários aspectos da organização do trabalho como um todo. É claro que pode ser muito difícil distinguir entre uma decisão inspirada ou uma decisão tomada diretamente pelo próprio médium dirigente, essa distinção, porém, é perfeitamente relevante se a decisão não contradiz a moral cristã. Assim, concluímos que o chefe do terreiro, tem grande parte da responsabilidade pelos trabalhos e pelo bem dos médiuns, de consequência imediata, todos os trabalhadores do terreiro também tem o dever de respeitar as decisões da cúpula espiritual (personificada em nosso caso no Caboclo Tupinambá). Esse respeito assegura ordem e organização em trabalhos como o de desenvolvimento, que necessitam desses atributos para serem realizados em toda sua potencialidade.

Um exemplo de como devemos respeitar a organização dos trabalhos refere-se ao controle que devemos ter sob a nossa mediunidade. Como muitos de nós ainda nos encontramos em estágios primários de desenvolvimento mediúnico, o controle e o entendimento da energia que sentimos é, muitas vezes, difícil. Obter o controle sobre a mediunidade, é de suma importância para o equilíbrio dos trabalhos (e em particular, da gira de desenvolvimento). De forma geral, enquanto não estamos “girando” ou não temos a permissão do responsável pela gira, não devemos dar passagem à incorporação de nenhuma entidade. Teoricamente, essa norma de conduta é de fácil compreensão e aceitação. É fácil compreender que uma incorporação “fora de hora” prejudica o trabalho por quebrar a concentração e o equilíbrio da corrente, por se opor ao planejamento prévio dos trabalhos e por impedir que o médium concentre-se em doar equilíbrio e amor para o irmão que está “girando” no centro do terreiro. O problema reside na aplicação prática desse conhecimento.

Durante a gira, muitos médiuns encontram certa dificuldade para controlar as energias que sentem e eventualmente, um descontrole maior pode levar a uma incorporação em um momento inoportuno. Algumas perguntas surgem naturalmente em
nossas mentes, a essa altura de nosso estudo:

1. Se as incorporações são inoportunas, porque elas ocorrem?
2. Não saberia o meu guia, evitar isso?
3. Se eu sinto tanta energia, não seria porque está na hora de incorporar”?

Uma corrente mento-eletromagnética, que envolve todos os médiuns, é criada durante a gira. Como o nome indica, essa corrente é resultado da energia sutil (espiritual) que produzimos através de nossos pensamentos. Da mesma forma que produzimos essa energia, podemos também captá-la. Para fins ilustrativos, podemos visualizar cada médium como sendo a “antena de um rádio” (que capta essa energia sutil) em constante processo de ajuste, de sintonização. Durante esse processo, podemos captar várias formas de energia sem ter o controle do “volume” no qual elas se expressam. Este descontrole durante a gira é de certa forma natural, resultante da abertura psíquica obtida, da ligação psíquica que é criada entre todos (encarnados e desencarnados) e da força da energia gerada pela corrente. Explica-se assim, porque às vezes sentimos forte energia durante a gira, causando efeitos físicos de difícil controle.

Por inexperiência e/ou falta de conhecimento sobre nossa própria mediunidade, estamos suscetíveis a associar essas energias, que sentimos durante a gira, a influência de nossos guias. Erroneamente, nesses casos, imaginamos que essa energia se origina de um espírito que “quer incorporar”. Assim, quando interpretamos a energia que sentimos durante o desenvolvimento de forma incorreta, podemos estabelecer uma ligação mais forte com o espirito no qual pensamos (iá que é natural que imaginemos um guia específico que “achamos que quer incorporar”). Se essa ligação é suficientemente forte, em certos casos, ocorre a “incorporação fora de hora”, isto é, uma incorporação que não foi planejada e, sim, induzida pelo médium (que “puxou” a entidade) e que ocorreu devido às circunstâncias especiais do ambiente. É comum termos a falsa ideia, mesmo que inconsciente, de que a “incorporação” ocorre quando o espírito “entra em nosso corpo”; na verdade, como sabemos o que existe é uma ligação entre o perispírito do médium e o do espírito comunicante, que nunca entra no corpo do médium.

Nas ocasiões em que este fenômeno ocorrer (antes, durante ou depois da gira), e possível que o chefe do terreiro, peça para que a entidade desincorpore. Ele pode fazer isso diretamente ou através da inspiração dada à outra entidade do terreiro. A entidade que incorporou “fora de hora” entende a necessidade de seguir a ordem planejada para os trabalhos e se prontifica a desincorporar imediatamente. Cabe ao médium, assegurar-se que também compreende essa necessidade de ordem e organização nos trabalhos. É importantíssimo que o médium entenda essa necessidade com humildade e como parte de seu exercício de disciplina, pois só assim se assegura que nunca vai ficar magoado ou contrariado (o que seria muito prejudicial ao trabalho) com o pedido de que a entidade se desligue dele naquele momento.

É essencial, que o médium saiba entender a diferença existente entre ele e o espírito comunicante. O aprendizado sobre essa diferença consiste em um dos maiores e mais importantes desafios na prática da mediunidade responsável. Para uma melhor
compreensão de todo o processo, é necessário que também se entenda os conceitos de “ANIMISMO”, os quais se relacionam às sutilezas naturais do fenômeno mediúnico.

O animismo é algo que vem da própria alma do médium, que assim, interfere nas comunicações com o mundo espiritual. Quando falamos em interferência devemos sempre lembrar que esta ocorre quase que involuntariamente. É importante não confundir com “MISTIFICAÇÃO”, pois aí sim há intenção voluntária de enganar.

Nos dias de hoje trabalha-se a mediunidade com níveis de consciência muito maiores, não existe mais o médium totalmente inconsciente, que não se lembre de nada, nem tão pouco interfere na comunicação espiritual. Portanto, toma-se extremamente
difícil identificar o animista, principalmente quando médium e entidade espiritual compartilham de um mesmo ambiente evolutivo.

O animismo em médiuns principiantes é natural e esperado, pois se têm ainda pouca experiência. O estudo e o trabalho continuado trarão mais segurança e controle da mediunidade para estes. É comum ocorrer com o médium, ao se afinizar vibratoriamente com entidades menos esclarecidas ou rebeldes, manifestações das imperfeições que elas carregam ainda consigo. Isso costuma acontecer com aquele médium que ignora sua responsabilidade na manifestação mediúnica. Muitas vezes o médium chega a crer que uma encenação a mais provocada pela entidade possa vir a comprovar a autenticidade de sua incorporação. Se por qualquer motivo o médium é passível a este tipo de comportamento, demonstra que, apesar de possuir a faculdade psíquica, não tem ainda a medida de sua responsabilidade como intermediador entre o mundo espiritual e o nosso mundo físico.

Dentro da classificação de animismo encontram-se fraudes de médiuns e espíritos que nada têm a ver com mediunidade. A fraude pode ser utilizada com o objetivo de promoção pessoal ou de grupos que se julgam superiores demais. Devemos sempre manter a humildade, agradecendo a oportunidade que temos de servir.

O que falar então de mistificação? Mistificar significa: enganar; iludir; trapacear, iniciar alguém nos mistérios de um culto abusando de sua boa fé.

o LIVRO DOS MÉDIUNS nos exorta acerca da mistificação:

Pergunta 303, 1” – As mistificações são um dos escolhos mais desagradáveis do Espiritismo prático; haveria um meio de se preservar delas?
Sim, certamente, há para isso um meio simples, que e’ o de não pedir ao Espiritismo senão aquilo que pode vos dar; seu objetivo e’ o melhoramento moral da humanidade; enquanto não vos afastardes disso, jamais sereis enganados, porque não há duas maneiras de se compreender a verdadeira moral, a que todo homem de bom-senso pode admitir. Os Espíritos vêm vos instruir e vos guiar no caminho do bem, e não no das honrarias e da fortuna, ou para servir às vossas paixões mesquinhas. Se não lhes pedisse nada de fútil ou que esteja fora das suas atribuições, não se daria nenhuma presa aos Espíritos enganadores; de onde deveis concluir que aquele que e’ mistificado, não tem senão o que merece.

O papel dos Espíritos não e’ o de vos esclarecer sobre as coisas desse mundo, mas o de vos guiar com segurança no que vos pode ser útil para o outro. Quando vos falam das coisas desse mundo, é porque julgam necessário, mas não a vossa pedido.
Se vedes nos Espíritos os substitutos dos adivinhadores e dos feiticeiros, então é certo que sereis enganados. Se os homens não tivessem senão que se dirigir aos Espíritos para tudo saber, não teriam mais seu livre arbítrio, e sairiam do caminho traçado por Deus para a humanidade. O homem deve agir por si mesmo; Deus não lhe envia os Espíritos para lhe aplainar a rota material da vida, mas para preparar a do futuro.

Pergunta 303, 2ª – Por que Deus permite que pessoas sinceras, e que aceitam o Espiritismo de boa-fé, sejam mistificadas? Isso não poderia ter o inconveniente de abalar sua crença?
Se isso abalasse sua crença, seria porque sua fé não era muito forte; as que renunciassem ao Espiritismo por um simples desapontamento, provariam que não o compreendem, e que não se apegam à parte séria. Deus permite as mistificações para
provar a perseverança dos verdadeiros adeptos, e punir os que dele fazem um objeto de diversão.

Uma pergunta, ainda precisa ser respondida: “Se a entidade que “incorpora fora de hora” realmente entende que isso não é apropriado, por que é que ela incorpora?” Embora seja dificil generalizar e simplificar a resposta dessa pergunta pode-se dizer que uma das razões é que isso é uma forma de caridade e aprendizado para os médiuns. A mediunidade, para ser um bom instrumento, também depende de prática e experiência do médium. Dessa forma, situações como essas, permitidas pelo Plano Maior em um local apropriado, servem como preciosa oportunidade para que os médiuns ganhem auto-conhecimento e disciplina. Como conseguiríamos ganhar essas qualidades se nunca fôssemos testados, ganhando oportunidades para pratica-las e aprendendo com nossas experiências. Ao mesmo tempo, essas situações dão oportunidades aos médiuns de exercer a paciência e a tolerância, bem como de aprender, por observação, sobre a sua própria mediunidade.

9. A SESSÃO DE DESENVOLVIMENTO NA VEREDA DA LUZ

Quando chegamos ao nosso centro, pedimos licença em saudação e respeito ao Sr. Exú Sete Porteiras, cruzando o braço esquerdo sobre o direito com os punhos cerrados e dizemos: “Laroê Seu Sete Porteiras, Saravê vossa banda”. Em seguida,
cumprimentamos a tronqueira de entrada do terreiro, pedindo a licença e proteção ao Sr. Exú de tronqueira (que no nosso caso é o Sr. Exú Caveira), e a todos Exús e Pombas-gira, cruzando o braço esquerdo sobre o direito com os punhos cerrados três vezes e dizemos: “Laroê todo Exú e toda Pomba-gira”, batemos com a mão esquerda fechada três vezes no chão e dizemos: “Saravê Seu Exú Caveira”. Depois cumprimentamos a “Casa das Almas”, fazendo o sinal da cruz com a mão direita no chão duas vezes e dizemos: “Salve as Almas Puras e Salve as Almas Impuras”, levantamos nossas mãos espalmadas em direção a casa e dizemos: “Luz, Força e Proteção para todos nós, É prais Almas, é pra’s Almas, é pra’s Almas”.

Ao entrar no terreiro devemos estar com os pés descalços (salvo o uso de meias para quem sentir necessidade), Isto porque, o calçado é um objeto anti-higiênico, pois se pisa com ele em tudo, às vezes em detritos e sujeiras diversas. O terreiro é um lugar imantado, onde foram fixadas certas forças e vibrações positivas e é onde conservamos os pontos riscados destas mesmas forças, por isso deve permanecer sempre limpo de fluidos negativos e por necessitarmos estar em ligação com o elemento terra, que é escoadouro natural das vibrações e ondas eletromagnéticas.

Em seguida batemos a cabeça no CONGÁ (o qual não existe determinação para assentarmos “santos” ou ºªestátuasºº), em respeito pelo santuário e pelas forças que vão entrar em comunhão conosco, tendo no pensamento Zambi (que é DEUS) e nosso Pai OXALÁ (que é Jesus Cristo) e ainda como deferência ao Caboclo chefe do centro.

A gira de desenvolvimento é iniciada com uma breve mensagem do Diretor Litúrgico da casa, a fim de elucidar o propósito da reunião que será realizada. Em seguida todos os médiuns compromissados da casa, junto com os fundadores, entram
em sintonia com a firmeza posta pela corrente para que o Exú protetor do terreiro feche todas as “PORTEIRAS ESPIRITUAIS”, impedindo a ação de Espíritos de baixa vibração em acessar a corrente mediúnica e o terreiro. Depois, agradecemos a todas as “ALMAS PURAS E IMPURAS”, que já se fazem presentes. As Almas Puras de Luz rogamos o consolador (que é nosso mestre Jesus Cristo) e o fortalecimento de nossa fé e as Almas Impuras, agradecemos a oportunidade de servir em auxílio para encaminha-las rumo ao progresso da evolução espiritual.

Terminado a firmeza inicial, oramos à prece de Cáritas e em seguida é realizada a defumação do terreiro e de todos os membros da corrente. Fazemos uma prece saudando aos Orixás, com intuito de nos auxiliar para a abertura dos trabalhos.

Tanto a formação da corrente quanto a manutenção de um ambiente de harmonia e equilíbrio é essencial para que os objetivos da gira sejam alcançados. Daí conclui-se que conversas, brincadeiras ou atitudes que prejudiquem a concentração e tragam
qualquer desequilíbrio ao grupo devem ser evitadas, para que a corrente “mento-eletromagnética” criada não se quebre ou enfraqueça, para que possamos servir durante o trabalho, da melhor maneira possível. Naturalmente, isso não quer dizer que devemos ser sisudos durante os trabalhos, já que a alegria e a responsabilidade, quando fundamentadas em equilíbrio e paz interior, são perfeitamente compatíveis.

Lembramos também que a presença de atabaques ou de qualquer outro aspecto ritualístico, não são os principais elementos que fazem a gira ser útil e produtiva. O fator mais importante e que determina a qualidade do trabalho, é sempre a intenção com a qual o trabalho é feito. Assim, terreiros nos qual a gira de desenvolvimento é acompanhada com palmas e cantos, possuem exatamente o mesmo potencial de exercer o trabalho para o bem, desde que a intenção para tal seja igualmente boa. Nós não podemos esquecer que a Umbanda recebeu a influência dos Preto-Velhos e eles trouxeram consigo a cultura africana, e os africanos sempre utilizaram os tambores em seus rituais.

Vejamos esta elucidação: Em várias tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas (mais a frente falaremos sobre este), não havia toque de Ogãs, mas na Tenda São Jorge fundada por ele passou-se a utilizar, o que nos faz entender que foi
permitido pelo próprio e que ele entendeu que era necessário. É dificil então determinar se certos aspectos ritualísticos adotados em cada terreiro são originários na cultura dos médiuns, dos espíritos, ou de ambos. É claro que sempre existirá uma afinidade entre a equipe espiritual e o corpo mediúnico, a qual se reflete nos rituais adotados.

“No dia 15 de novembro de 1908, um jovem de apenas 17 anos, branco, filho de militar, chamado Zélio Fernandino de Morais em uma sessão espírita na Federação Kardecista de Niterói – RJ incorporou um espírito, manifestado sobre a roupagem de um índio brasileiro. Questionado quando ao seu nome e o que pretendia, reSpondeu: Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Setes Encruzilhadas, pois não haverá caminhos fechados para mim.Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos. No dia seguinte aconteceu a sessão
inaugural na casa da família Morais, em que o Caboclo das Setes Encruzilhadas e o Preto-Velho Pai Antônio deram as coordenadas para a recém-fundada religião a Umbanda”.

O chefe da gira (ou algum Caboclo com a permissão para conduzir os trabalhos), então desce ao terreiro, (na Umbanda, todos devem cumprimentar os Caboclos e Preto-Velhos fazendo o sinal da cruz em sua frente, em deferência a seu respeito e
agradecimento por nos auxiliar. Esse gesto, não deve ser comparado a se prostar a outro Deus, que não seja Zambi nosso pai, mas sim, um gesto de disciplina para com as entidades que nos conduzem). Daí por diante como já falamos anteriormente,
toda ação espiritual será coordenada por ele, que em quase toda gira de desenvolvimento, convida os médiuns iniciantes, em desenvolvimento, prontos e compromissados para o centro do terreiro em frente ao Congá, para receber a imantação do Orixá ascendente e as vibrações das entidades para girar.

Embora a incorporação seja possível e permitida, nesse momento, só dê passagem às entidades durante a sua hora de “girar” ou sob autorização do Caboclo chefe ou da entidade dirigente da gira e das entidades de compromisso do terreiro,
enquanto não houver autorização e você venha a sentir tamanha vibração lhe dominar, faça o sinal da cruz com sua mão direita no chão, este gesto fará com que as energias vibratórias em volta de você, tome brandura até que venha a autorização. Este é um dos exercícios de maior grau de disciplina do médium: “saber controlar as vibrações até que a entidade dirigente lhe chamar para girar”, tenha plena consciência que ela sabe quando este será necessário para você, não busquem induzir uma incorporação, todas as entidades do terreiro saberão a hora em que você estará preparada, isto é disciplina pura e sempre será cobrada de você.

Não fique preocupado se a incorporação vai ou não acontecer, já que essa preocupação nos desconcentra e impede que a nossa conexão com o Plano Maior ocorra mais intensamente. O que vai acontecer a partir desse ponto vai depender, na
maior parte, das nossas necessidades, responsabilidades e compromissos com a Umbanda. Coloque em prática neste momento tudo que nos foi elucidado, e sinta que você não faz mais parte de uma esfera só. Que parte das ações dominadoras de todos os seus sentidos físicos e psíquicos, não partem apenas de você. Se entregue com amor e humildade, “SEM PRESSA”, e tudo lhe será confirmado, enquanto houver ansiedade e falta de controle, a espiritualidade sempre a deixará em espera.

10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As reflexões que a gira de desenvolvimento provoca em cada um de nós, têm inestimável valor, pois é uma reforma íntima que nos indicará o caminho da Luz. Nesse caminho, podemos realmente servir a Deus, ajudando a nossos irmãos e a nós mesmos a sermos verdadeiramente felizes, alcançando o auto-conhecimento e a auto-realização.

1. Para que serviu o trabalho?
2. Encontramos nele o que buscávamos?
3. O que poderíamos melhorar em nós mesmos e na corrente, para o próximo trabalho?
4. O que aprendemos de novo?
5. Como podemos aplicar em nossas vidas os ensinamentos e exemplos que encontramos, através de nossos guias?

Para todas essas perguntas, damos à mesma resposta. E de total responsabilidade de cada um de nós, desenvolvermos o hábito de gerar perguntas como essas e meditar em suas implicações, depois de cada trabalho. O médium ciente de suas
responsabilidades busca incansavelmente a reforma íntima e maneiras de aprender com suas experiências, de forma a ser cada vez mais um instrumento útil para o plano maior. A reflexão e meditação posterior a cada trabalho, consistem em um dos muitos aspectos de nossa busca constante, infinitamente bela e enriquecedora pela Luz.

“A mediunidade, conforme sabemos, exige exercício disciplinado, sintonia com as Esferas Superiores, meditação constante, isto é, vida íntima ativa e bem direcionada, ao lado do conhecimento de seu mecanismo e estrutura, de modo a tornar-se faculdade superior da e para a vida”.

“Loucura e Obsessão ” (pg. 290), pelo Espírito Manoel P. de Miranda (Divaldo P. Franco).

“A verdadeira fortaleza de uma Casa Espírita, do ponto de vista da sua função na Terra, não está nos alicerces de concreto, e sim no estudo e vivência do aspecto doutrinário”.

“Aconteceu na Casa Espírita pelo Espírito Wilson Ferreira de Mello.

“A Umbanda é linda, linda como é, quando seus filhos, são filhos de fé. A Umbanda e’ linda, Okê
Caboclo, quem não tem fé meu pai, chora por pouco”.

Flávio Ferreira Costa
Direção Litúrgica
09/06/2008

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