No crescimento religioso que, a partir de 1930, tomou ainda menor vulto, nem todos os dirigentes souberam manter-se na função de missionários da espiritualidade. A vaidade, a intolerância, as tentações que a “vil moeda”, como dizia o Caboclo, exerce sobre o homem, são as principais responsáveis pelo grande número de templos que usam o nome de Umbanda – pela vibratória interna do vocábulo – sem contudo, seguirem as normas estabelecidas pela entidade, desrespeitando a verdadeira Codificação elaborada em longos meses de estudo e trabalho prático. Nem todos souberam manter o “slogan”: A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade.” Em consequência, o modesto uniforme branco deu lugar a vestimentas vistosas, com rendas e lamês de alto custo sugerindo luxo e estabelecendo indevidamente diferença econômica entre os membros de uma comunidade religiosa.

A presença dos Caboclos deixou de objetivar exclusivamente a prática da Caridade, para constituir uma reunião festiva, e o conceito “dai de graça o que de graça recebes” ficou no esquecimento substituído que foi pelos cartazes que estipulam preços para “consulta” de Pretos-Velhos, Exus e das “ciganas”.

A magia que o Caboclo das Sete Encruzilhadas e seus auxiliares espirituais incorporados em médiuns cônscios de sua responsabilidade, praticavam para curar, retirar obsessores, encaminhar os desviados da trilha do amor fraterno e da caridade, deu lugar à magia terra-a-terra regada a sangue e movida por dinheiro.

Umbanda cresceu e difundiu-se. Milhares de templos cumprem a sua missão de caridade espiritual. Outros em número considerável, infelizmente desvirtuam-na.

A Aliança Umbandista do Estado do Rio de Janeiro – a ALUERJ, porém, confiante no futuro de progresso e paz que aguarda as gerações vindouras, espera reerguer, em toda a sua pujança os conceitos que, há pouco mais de meio século, implantaram em nosso País e Religião de Umbanda.”

Lilia Ribeiro, 1976
Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

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