Os MARINHEIROS trabalham na Umbanda através da Linha de Iemanjá, mas em nosso Terreiro sofre influencia direta da linha de Ogum por trabalhar a esquerda da nossa doutrinação. Entendam então que, são seres da Linha das Águas, mas obedece a doutrinação da Linha de Ogum. Trazem consigo uma mensagem de esperança e muita força, nos dizendo sempre que se pode lutar e desbravar o desconhecido, do nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança e trabalho. Apreciam o que há de belo em tudo e em todos.

Seus trabalhos são realizados em descarrego, consultas, passes, desenvolvimento, enfim, tanto quanto as demais falanges trabalham. Em muito é parecido com o dos Exús, isso faz com que o leigo dificilmente note a diferença entre alguns Marinheiros e Exús na hora da Gira, pois alguns Marinheiros vêm com os trejeitos de um Exú e alguns Exús vêm com alguns trejeitos de Marinheiros, o que nota-se claramente são os nomes utilizados, diferente dos Exús.

São espíritos próximos de nossa encarnação ou reencarnação (recentes), de pessoas que em vida foram marinheiros ou viveram do mar, como pescadores. Ainda há muita dificuldade em saber se a Linha das Sereias são da mesma ordem da Linha dos Marujos, por isso, o que há de comum é trabalhar na linha dos Marujos apenas entidades do sexo masculino (embora aja Terreiros que aceitam espíritos de mulheres marinheiras), e na Linha das Sereias entidades do sexo feminino (embora em alguns Terreiros trabalhem entidades do sexo masculino nessa linha também), preservando a ordem dos nossos mentores espirituais, a nossa Casa então trabalha com Marinheiros (homens) e Sereias (mulheres), em Giras distintas.

São muito brincalhões, não distinguem a sexualidade, embora toquem e muito nela. Deixam em evidência o “poder da sedução” (assim como os Ciganos e Ciganas), enquanto Pombas-gira por exemplo, deixam em evidência a “libido e a quebra do pudor”. Normalmente bebem muito durante os trabalhos, por este motivo a sua evocação não é muito frequente, muitos Terreiros até evitam a incorporação dessas entidades por isso. Com doutrinação através da afinização entre Médium e Entidade, é possível reverter este tipo de comportamento, mas isto é algo a ser trabalhado com o tempo, então, muitos médiuns não conseguem suportar tal incorporação, bloqueando a mediunidade por temer este tipo de conduta. Afirmo a todos que é trabalhoso esta parte, demanda tempo, cuidados, mas é possível alcançar, não de imediato, mas com o exercício incorporativo frequente sobre esta Linha, a doutrinação impera também.

A Gira de Marinheiro em muito parece uma grande festa, pela sua alegria e descontração, mas também, existe um grande compromisso e responsabilidade no trabalho que é feito. Eles se apresentam sorridentes e animados, não tem tempo ruim para esta falange. Já chegam abraçando todo mundo, com jeito maroto e parecendo estar embriagado. Com palavras macias e diretas, eles vão bem fundo na alma dos consulentes e em seus problemas. São sinceros (até demais, mas não criam clima desagradável e nem de medo a seus ouvintes), e ligeiramente românticos, sentimentais e muito amigos. Gostam de ajudar àqueles e àquelas que estão com problemas amorosos ou em procura de alguém, de um “porto seguro”, mas também o plano superior os evoca para descarga pesada do Terreiro, por isso alguns não são dados a falar ou dar consultas, embora todos sejam bons conselheiros. Também trabalham com os relacionamentos de amores ilícitos, passageiros e encontros esporádicos com amantes.

Por eles a descarga do Terreiro uma vez feita, tudo será levado ao fundo do mar, com todos os fluidos nocivos que dele provem. São destruidores de feitiços, cortam ou anulam todo mal e embaraço que possa estar dentro do Terreiro, ou ainda, próximo aos seus frequentadores. Por este motivo também nunca andam sozinhos, quando em guerra unem-se em legiões, fazendo valer o princípio de que a união faz a força, o que os torna imbatíveis nesse sentido.

Enfim, representam o homem do mar (conhecedores do mar e da navegação), bebedor, mulherengo, que gosta de beber com os amigos nos bares e cantar alguma canção. Obedecem a hierarquia militar. Caminham balançando-se de um lado para o outro, como se estivessem mareados e causa sensação de enjoo em seus médiuns, tanto na incorporação como na desincorporação, levando alguns a sentir ânsia de vômito e muita dor na cabeça. Adoram beber, fumar e cantar. Bebem de tudo, se acostumaram com o racionar do que beber, comer e fumar, pelas longas viagens, então não recusam nada na hora de beber, whisky, vodka, cerveja, vinho, rum, o que conter álcool. Da mesma forma fazem com o fumo, também fumam de tudo e muito difícil encontraremos algum que não fuma (entendemos que a doutrinação acontece com a afinização e não na incorporação de uma nova vibração), fumam cigarros de palha, cigarros, cigarrilhas, charuto e até cachimbo.

Raramente usam velas e quando as usa são das cores branca, azul ou bicolor branca e azul. Não firmam ponto, não arriam nada no chão, tem no seu Cambono o seu melhor amigo na terra. Transita em trabalhos tanto para a “direita” como para a “esquerda” e seu campo de vibração para os trabalhos na Vereda é no assentamento de Iemanjá ou de Ogum. Atuam muito em beneficio da saúde física por trazerem consigo as energias geradoras e regeneradoras das águas.

Aos seus médiuns, entregam uma irradiação primorosa, mesmo com os efeitos da incorporação, a sensação do estado de espírito é de leveza, felicidade plena e acima de tudo amor ao próximo incondicionalmente. Os Marinheiros permitem aos médiuns a desenvolverem o equilíbrio emocional, entrar em contato com as emoções mais intimas desbloqueando e liberando os excessos, os vícios. Desenvolvendo no médium a capacidade de sentir as dores dos outros e com isso aprimorando as relações com o seu irmão. Se você quer o melhor para sua vida, comece fazendo uma reflexão de seus próprios atos, pois muitas pessoas reclamam de determinados acontecimentos em suas vidas, mas esquecem de que tudo tem um por que. Portanto, reflitam sobre vossos pensamentos e atitudes para que não sofra consequências negativas.

A vida é um espelho. Vigie-a sempre. E lembre-se de que tudo pode quando trazemos “Deus” em nossos corações. – Sr. Martinho – Marinheiro de Umbanda

E não se esqueça:

“Docinho, docinho, docinho de maracujá! Pode sofrer, pode chorar, mas na minha Gira você tem que se alegrar!”

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